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Nossa Senhora do Trajeto

Quadro pintado por Raymundo Lopes e exposto na Capela Magnificat

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Em março de 1970, recebi a visita de um rapaz trazendo debaixo do braço um pedaço de madeira. Ele me pedia para pintar ali Nossa Senhora com Menino Jesus nos braços, que dizia ser Nossa Senhora do Trajeto. Expliquei-lhe que não conhecia tal pintura, que nunca ouvira falar de Nossa Senhora do Trajeto. Mas ele insistiu, dizendo-me que mais tarde me traria uma estampa com sua pintura. Esperei, mas nada. Cinco anos depois, revirando minhas coisas, deparei-me com a madeira e resolvi então ali uma pintura de Nossa Senhora. Em poucas horas, pintei uma imagem da Virgem com o Menino Jesus nos braços, mas com uma particularidade: o menino parecia mais velho que a Mãe. Um amigo, vendo-o, perguntou:
- Essa e a Nossa Senhora da qual você me falou: Nossa Senhora do Trajeto?
- Não.-respondi. Pois não a conhecia com esse título. Mas, se pudesse haver uma, seria essa.
- Mas o menino parece mais pai do que filho dela. - retrucou.
- Quem sabe é Deus Pai? - repliquei.
- Nossa Senhora com Deus Pai no colo?
-  É, é Deus Pai dizendo à Virgem Maria o trajeto divino da criação do mundo até a criação dela, como filha do Pai, Mãe do Filho e esposa do Espírito Santo.
Depois disso, o quadro ficou abandonado no apartamento. Eu não tinha coragem para colocá-lo na parede. Um domingo, resolvi dar fim a ele, colocando-o na lixeira. No dia seguinte, o zelador bateu à minha porta, dizendo:
- Senhor Raymundo, achei um quadro na lixeira, e como sei que e senhor é muito católico, trouxe para o senhor. Mas como está maltratado, me pareceu que teve um longo trajeto até sua porta.
Trajeto ... Aquela palavra me intrigou. Ele disse o mesmo que me dissera o rapaz, há quase seis anos. Constrangido, agradeci e fiquei co o quadro.
Mais tarde, a lavadeira que me prestava serviço me pediu de presente o quadro, que estava sobre o sol e chuva na área de serviço. Não titubeei, atendi seu pedido. Em 1980, morre essa lavadeira. Numa visita à sua pedi que me indica-se outra pessoa para seu lugar. Eles me levaram a uma vizinha. Quando entrei na sala de sua casa, dei de cara com o quadro dependurado na parede. Fiquei assustado. Em dado momento, a dona da casa me disse:
- Sr. Raymundo, está vendo este quadro? Foi D. Celestina que me deu, ele esta tão machucado... Estou procurando trabalho há quase um ano, e prometi que daria de presente a quem me arranjasse serviço. O senhor aceita? Coitadinha, me aparece que o trajeto dela foi espinhoso e difícil. Eu quase cai da cadeira e, num ímpeto, disse que sim. Tempos depois, quando me mudei para o barracão que construía no local onde hoje tenho minha residência, mas não sei como explicar, o quadro veio no meio de algumas coisas que trouxe. Acabei por colocá-lo na parede externa, na esperança de que o sol e a chuva acabasse de vez com ele. Mas o quadro agüentou o tranco das intempéries,e depois, perdido, foi encontrado no sótão da casa. Três anos atrás, encontrando-o, minha empregada cismou de colocar na porta da cozinha. Mas ele me incomodava, me parecia feio.
No Natal de 2005, depois do nosso Terço do meio-dia eu, muito cansado, resolvi dar um cochilo no sofá da sala. Sonhei que estava pintando muitos quadros, mas todos iguais de Nossa Senhora do Trajeto. Eu os distribuía às pessoas, todas as portadoras de problemas, os quais eram solucionados assim que olhavam para o quadro. No sonho vi então o “menino”(Anjo) que sempre me aparece, apanhando uma pedra no chão e dizendo:

Não desprezem a pedra,* porque essa será o ângulo certo da manifestação do amor da doce e serena Senhora para vocês.”

Acordei assustado e resolvi colocar o quadro na Capela Magnificat e fazer o que minha consciência me pedia: colocar num lugar digno a imagem de Nossa Senhora do Trajeto, filha dileta do Pai que quis ficar no colo da Mãe e esposá-la com Espírito Santo, inspirador de todos os dons.

Nossa Senhora do Trajeto, rogai por nós que recorremos a vós!

 

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