diálogos com jesus e raymundo lopes

"Estou com fome, muita fome, me dê algo para comer!"

Um Sinal

Um Sinal na Capela Magnificat

Na manhã do dia 19 de fevereiro, recebi o chamado de uma pessoa do Hospital São Lucas, me contando que havia ali um rapaz em coma, há quase dois anos, e que a equipe médica, desanimada, parecia questionar sobre a manutenção de sua vida. Eu não tinha como ir àquele hospital, mas Geny, minha esposa, se prontificou a me levar. Lá chegando, ela ficou me esperando no carro, enquanto fui ao paciente. Em seu quarto, deparei-me com uma cena patética: um rapaz muito magro desacordado e, num canto do quarto, algumas enfermeiras e, me parece, um médico discutindo algo que não compreendi. Fiquei muito sem jeito, porque não conhecia ninguém. Uma pessoa chegou perto de mim e disse: "O senhor conhece o doente?" Não, respondi, fui chamado aqui acho que por uma parente dele. 
Ao me aproximar do rapaz, senti muita pena dele e fiz uma coisa que nunca faço: dei-lhe um beijo na testa. Na mesma hora o rapaz acordou, olhou para mim e disse: "Estou com fome, muita fome, me dê algo para comer!" 
As pessoas então me perguntaram: "O que você fez?" Não fiz nada, respondi, apenas dei um beijo nele. Eles ficaram surpresos e deixaram bem claro que aquilo que acontecera não era absolutamente um milagre, pois me contaram que às vezes as pessoas entram em coma e no seu cérebro fica registrada uma vontade. Aquela do rapaz seria o caso, a vontade de beijo ou coisa parecida de um de seus parentes, porque ele era vítima de um tombo de motocicleta. 
Resumindo, era um desejo que estava registrado no cérebro do rapaz, não precisamente na hora do acidente, mas em outras épocas, segundo eles. E ainda me disseram: "A psicanálise explica muito bem isto". 
Eles então ficaram por conta do rapaz e se esqueceram de mim. Desci, mas um médico me acompanhou, porque estava muito interessado no que acabara de acontecer, e me dizia que trabalhava no hospital. 
Despedi-me dele, entrei no carro e fui embora. 
Dias depois, a Fátima Araújo, de Guarapuava,  chamou a atenção para a frase do rapaz, era a mesma de Jesus, na porta da Capela Magnificat, na figura de um mendigo.

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