Diálogos com os Anjos e Raymundo Lopes

Assim nasceu o universo

Diálogo em que o anjinho explica a Raymundo como nasceu o universo
Quinta-feira, 27 de outubro de 2005 – Vila del Rey.

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Neste dia cheguei em casa por volta das 9:30 horas. Como estava preocupado com o andamento da Obra Missionária, fiquei na varanda de minha residência vendo o céu. As luzes estavam apagadas, e o espetáculo era maravilhoso. Fiquei pensando: como nasceu tudo isso? Quando olhei para baixo, vi o menino sentado no banco debaixo do pé de manacá.Desci rapidamente, a tempo de pegá-lo. Ele então aproximou-se de mim e disse:
– Hoje você não tem autorização para tocar em mim.
– O.k., não vou tocá-lo. Mas o que está fazendo aqui?
– Você não deseja saber como iniciou o universo?
– Você sabe?
– Quando Aquele que tudo comanda permite, sabemos alguma coisa.
– Como foi, então?
Ele começou dizendo:
– As milhões de galáxias que povoam os céus têm sua origem numa fantástica explosão atômica, e os corpos celestes de hoje são produtos da transformação física dos fraguimentos da explosão que originou o universo.
– Isto é comum. É a teoria do Bigue-Bangue (Big Bang).*
– Ótimo, se você conhece essa história, tente que sua mente retroceda no tempo e no espaço; assim como as galáxias que hoje se afastam, você as verá de modo inverso, como uma marcha a ré. Você as verá aproximando-se umas das outras, precipitando para um centro comum.
– O.k., posso imaginar isso! Mas, por quê?
– Veja bem, se as galáxias não se aproximam mas, ao contrário, se afastam de um ponto central, é porque todas saíram desse mesmo ponto. Nesse ponto está Deus. E continuou:
– No seu tempo, pode-se calcular o tempo de criação do universo: cerca de 20 bilhões de anos atrás, anos da terra. Este é o tempo zero, onde Deus iniciou a criação.
Toda essa matéria onde Deus propôs a criação do universo, teve seu estado físico numa extrema compressão sobre si própria, a ponto de se reduzir a bilhões de vezes no seu volume. Você sabe que essa matéria é formada de átomos, e que esses átomos são formados de prótons, nêutrons e elétrons?
– Sei.
– Você estudou que os prótons e os nêutrons formam o núcleo do átomo, e os elétrons giram em torno desse núcleo, em órbitas determinadas?
– Estudei.
– Esse núcleo é tão pequeno que você pode compará-lo ao menor dos insetos dentro de um campo de futebol, como esse que você tem em sua cidade.
– O Mineirão?
– Esse mesmo.
– E daí?
– Então, entre o núcleo e os elétrons, muito menores que ele, existe um espaço vazio muitas vezes maior que o espaço preenchido pelas partículas elementares que formam a estrutura atômica. Assim sendo, o átomo é quase totalmente vazio. Então você pode compreender que a matéria é vazia.
– Por isso é que Deus criou tudo isso do nada?
– Esclareço a você que a matéria pode se contrair até quase fechar-se sobre si mesma. Se vocês pudessem “esmagar” o átomo até juntar todos os seus elétrons ao núcleo, ele ocuparia um volume menor no espaço, não é?
– Teoricamente, acho que sim!
– Então esse seria o estado de compressão máxima da matéria?
– Acho que sim!
– Veja bem, se vocês pudessem submeter o Vaticano a uma imensa força compressora, que levasse os átomos de todo o material desse edifício a se contrair, vocês transformariam o centro da cristandade em um pequeno corpo do tamanho de um caroço de uva, sem alterar o seu peso, e ele continuaria a pesar dezenas de toneladas por centímetro cúbico.
– Isto é teoria!
– Claro, é teoria para vocês, mas não para Deus.
Depois continuou:
– Esse plasma primitivo criado por Deus, ao explodir há 20 bilhões de anos atrás, anos da terra, tinha reunido todos os prótons, nêutrons e elétrons que existem hoje em todo o universo. Esse plasma era o ventre gerador, e a incalculável pressão no seu interior e a elevação de sua temperatura fizeram acontecer a mais indescritível explosão, lançando enormes fraguimentos desse ventre gerador em todas as direções do universo, e o espaço vazio viu-se varrido por uma turbulenta chuva de massas colossais do gigantesco núcleo inicial que explodiu. Esse é o tempo do nada, que assistiu o nascimento de tudo.
Aí a temperatura daquele material caiu para alguns milhões de graus. Foi uma queda vertiginosa, e os elétrons se desgarraram dos conjuntos de nêutrons e prótons, entrando em órbitas ao redor dos mesmos e procurando alcançar um estágio de equilíbrio elétrico com os prótons.
Aí surgiram os átomos, e por conseguinte os elementos de maior complexidade. Era a transmutação atômica.
Assim, num processo em cadeia de entrada ou saída de partículas, gradativamente formaram-se todos os demais elementos. Com a condensação desses gases e da poeira cósmica, nasceram aquilo que vocês chamam de nebulosas.
Ora, devido a campos gravitacionais essa matéria ficou girando sobre si própria, foi se condensando até formar corpos celestes de extraordinária densidade. São o que vocês chamam de quasares, com cada centímetro cúbico com massa à ordem de dezenas de toneladas. Sob o comando de Deus, a grande contração da matéria libera a energia sob a forma de luz e calor. Assim surgiram as galáxias cheias de estrelas fulgurantes, em cujos centros passaram a se desenvolver temperaturas de dezenas de milhões de graus centígrados. E assim essa agitação térmica provoca a fissão do átomo, os elétrons se desprendem de suas órbitas e os núcleos se abalroam contra outros núcleos desintegrando-os em prótons e nêutrons, que por sua vez bombardeiam os átomos vizinhos provocando uma reação em cadeia.
   Assim nasceu o universo.
– Onde você aprendeu isto?
– Sou criatura dAquele que tudo comanda, e Aquele que tudo comanda me ordena que lhe fale isto, e isto é do conhecimento humano, mas não me ordena a falar de como sei; entretanto, estou aqui para aliviar seu interior.
– Aliviar de quê?
– De seus tormentos provindos do andamento da Obra Missionária da doce e serena Senhora, entregue a você.
– Do que você está falando?
– A doce e serena Senhora lhe entregou, para se tornar viável entre vocês, um plano para que um pequeno e reduzido rebanho no Brasil possa esperar Jesus e compreendê-lo no sentido de que uma nova fase possa ter início na cristandade. Tenho feito tudo para que compreenda a importância disso, e reparo sempre um leve retrocesso, por isso retorno sempre.
– Francamente, não estou entendendo: um leve retrocesso? Faço de tudo para dar certo, e você me fala em leve retrocesso?
– O caminho que deseja a doce e serena Senhora o leva a aceitar alguns critérios criados por aqueles que hoje ditam regras no catolicismo, e você não está aceitando-os.
– O que devo fazer, então?
– Afaste, por um tempo, da direção dos Missionários do Coração Imaculado.
– Você quer dizer que devo deixar os Missionários à deriva, é isto?
– Não. Você deve passar o comando externo ao seu segundo, para que o plano da doce e serena Senhora tenha curso diante daqueles que ditam regras.
– Mas você não percebe que a espiritualidade criada não está, nem de leve, condizente com o que está me ditando a situação presente?
– O que diz Mateus no capítulo 5, versículo 11?
– Não sei, não decorei!
– Vá lá e procure compreender, e verá que não está fazendo aquilo que ali pede Jesus. Você deve dar uma apurada atenção àquilo que lhe chama atenção o mestre Jesus, nesses mesmos escritos onde está Mateus. Leia todo o capítulo 5, 6 e 7 e verá que tenho razão.
– Não estou acreditando. Você me pede para desistir do comando da Obra Missionária?
– Não falei em desistir, mas somente entregar o comando externo ao seu segundo.
– E se eu não fizer isto?
– Estará pondo um ponto final no plano da doce e serena Senhora!
Eu fiquei de repente muito triste, sentei no banco onde o menino estava e pedi: Nossa Senhora, me ajude a acreditar nisso, como posso agora, no final dessa jornada, ver por terra toda a minha paciência?
Em seguida comecei a sentir um vasio, escuro e sem vida, e vi um lugar árido com apenas uma árvore, seca, no centro. Debaixo dessa árvore estava a doce e serena Senhora. Ela me disse:
– Tire-me debaixo desta árvore.
– Eu tentei tirá-la, mas estava incrivelmente pesada.
– Não posso, está pesada demais! Por quê?
– Porque sua intransigência pesa sobre os conceitos divinos e limita meus planos.
– Por favor, isso é uma doideira, como eu posso limitar a Senhora?
– Porque você vive no reino do materialismo, e nesse reino muita coisa, por vontade de Deus, é possível.
Vi então no chão uma chave, grande, daquelas antigas e pesadas. Ela então me disse:
– Pode pegar essa chave para mim?
– Posso. – e peguei a chave.
– Entregue-ma agora!
– Por quê? – e escondi a chave em minhas costas.
– Está vendo como está intransigente em me entregar a chave terrena da Obra?
– Não estou intransigente, apenas desejo saber por que quer esta chave.
– Daniel, Daniel, ficará um pouco mais distante dos ensinamentos de Jesus! Ele, como dono de tudo, pode interromper com você todo esse ensinamento, e voltará a ser o que era.
– Como?
– Sem essa chave na mão! Ela não estará nem comigo nem com você, e prevalecerá o que tanto temo: a justiça plena, sem rodeios e nem misericórdia, dAquele que tudo comanda, que se aproxima a passos largos.

 Eu então (acho que envergonhado) coloquei na mão de Nossa Senhora a chave. Ela me devolveu a chave mostrando um buraquinho na árvore seca, e me pediu que a colocasse naquele buraquinho. Fiz o que me pediu. A árvore então começou a ficar verde e cheia de flores. Ela então disse:
– Renuncie, para que a árvore floresça!
Em seguida me vi de volta, sentado no banco, e o menino na minha frente com as mãozinhas em minhas mãos. Logo depois ele fez menção de sair, mas entrei na sua frente e perguntei:
– Isto tudo é muito complexo, como vou depois escrever?
– Você sempre quer escrever?
– Quero!
– Escreva, irá lembrar!
Ele então deu uma volta e saiu em direção ao portão, e não o vi mais.

 * Bigue-Bangue (inglês: Big Bang – pronuncia-se Big Bæn): teoria da explosão cósmica que deu origem à criação do universo.

Diálogo extraído do livro (Diálogos com o Infinito), página 156

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