Diálogos com os Anjos e Raymundo Lopes

Oito perguntas sobre Yeshua

Diálogo de Raymundo com os anjinhos explicando algumas coisas sobre Jesus

Oito perguntas sobre Yeshua - Diálogo de Raymundo com os anjinhos explicando algumas coisas sobre Jesus

Tive a sensação de ter acordado no meio da noite sem saber que horas eram, tudo estava escuro e pensei ter ficado cego. Procurei levantar-me e, tateando, consegui equilibrar-me em alguma coisa. Notei que tinha algo vivo em minha volta, porque estava mexendo. Pensei ser o Bidu, meu cachorro. Aos poucos, muito lentamente, começou a se formar perto de mim uma coisa estranha parecendo água. Percebi então que não estava cego, mas tão-somente que tudo estava escuro. A coisa foi tomando forma, forma humana, mas eu não conseguia saber se era homem ou mulher, apenas uma forma humana. Eu estava calmo, e com minhas experiências não tinha medo, apenas não sabia o que fazer. Em seguida foi formando, em volta do que eu via, uma espécie de luz branca, isto é, aquilo tornou-se branco e eu o olhava espantado. Tentei chamar a Geny, mas fui impedido com um alerta calmo:
– Não o faça.
– Eu morri?
– Não, estamos guiando-o na matéria viva terrena.
Pegando, então, em minha mão foi guiando-me, e tive a impressão de ter saído do meu quarto para entrar num local parecendo um céu estrelado, mas muito escuro.
– Ampare-se em mim!
Entrei segurando naquilo que me pareceu mão, num recinto escuro, com uma brisa suave, e fui tocado muito de leve por alguma coisa perfumada.
E uma voz suave me disse:
– Você gostaria de conhecer um pouco mais sobre Yeshua?
Fiquei embaraçado e respondi:
– Maria, a mãe d’Ele, já me contou!
– Disse um pouco mais!!
– A mãe d’Ele já me falou. – repeti.
– Disse um pouco mais!! Entendeu?
– Entendi!
– Lhe apresentarei a três espíritos criados por Aquele Que Tudo Comanda e que lhe têm assistido. Você necessita saber mais sobre Yeshua. Vamos tratá-Lo com Seu nome transcrito para sua língua, apesar de não ser o real, mas certo da compreensão. São coisas simples, mas ficarão escritas para ajudar àqueles que lhe são caros.
– Vou poder entender?
– Você vai entender!!
– Vou poder escrever depois?
– Não! Nós escreveremos, mas com seus erros, seus enganos, porque estaremos utilizando sua capacidade de pensar e, sem querer diminuí-lo, está muito abaixo da nossa.
Ele me levou a um local onde eu podia ver três formas estranhas, cada qual com uma luz de uma cor: vermelha, amarela e azul.
O de branco, que me acompanhava, disse-me:
– Pode perguntar, mas eu estarei dirigindo suas perguntas e para quem você deve perguntar.
– Posso escolher?
– As perguntas, pode, mas a quem dirigi-las, não. Eu o farei entender a quem dirigi-las, entendeu?
– Quantas perguntas posso fazer?
– No contexto, oito; e sua conduta pode, a cada uma, estendê-la, mas sempre dentro do contexto.
– Como vou saber depois? Porque isso é importante para mim.
– Para nós também. Seu computador estará registrando tudo, mas imperfeito, porque tudo que vem da ciência de vocês é sem consistência. Você terá que ilustrá-la conforme o entendimento, tirando os erros gramaticais de sua língua.
– Mas eu não sei como tirá-los.
– Peça ajuda a quem sabe.
– Você vai escrever em meu computador?
– Por que não?
– Porque ele está desligado e escondido em meu armário!
– Você é simples! Não necessitamos de nenhuma ligação e muito menos como encontrá-lo. Vamos lá, aí estão eles, pergunte o que desejar sobre Yeshua!
Eu via três formas coloridas em minha frente: amarela, vermelha e azul, e as perguntas foram aparecendo em minha mente. 

Primeira – Você pode perguntar ao espírito de azul.

Yeshua foi um revolucionário?

Vimos que Ele andava em companhia de pessoas politicamente suspeitas, pois um dos seus companheiros era conhecido como Simão, o zelote, porque pertencia a um movimento clandestino dedicado a expulsar os romanos da Palestina. A presença romana não eraopressora, Roma governou a Palestina de maneira autônoma. Nenhuma instituição romana, fosse ela educacional ou religiosa, se impunha ao povo. Na terra natal de Yeshua, a Galileia, não havia qualquer tipo de presença romana oficial. Qualquer soldado romano que Yeshua tenha visto quando criança, devia estar ali de licença, e não para oprimir; e na Judeia, onde morreu, a presença romana era muito discreta. Portanto, respondo à sua pergunta: Yeshua nunca foi um revolucionário, foi um progressista.

Segunda – Pode perguntar ao espírito vermelho.

Mesmo assim, havia razões religiosas para que o domínio da Palestina fosse contestado pelo povo eleito de Deus. Os zelotes desejavam um Estado judeu purificado, teocrático, e sei que quarenta anos após a morte de Yeshua eles se lançaram a uma aventureira força de ocupação, que deixou o templo de Jerusalém em ruínas. Sei que além de Simão, Tiago e João eram chamados por Yeshua ‘filhos do trovão’. Isso poderia ligá-Lo aos sediciosos1?

1- Sedicioso: que incita à sedição (sublevação, revolta, motim) ou dela participa.

Fale-me sobre Judas.

O sobrenome de Judas provém de sua cidade e significa também homem da adaga, uma ligação aos zelotes. Ele ficou amargamente desencantado quando percebeu que Yeshua não ia liderar o povo contra o poder romano. Ele deduziu que Yeshua estava perdido e afastou-se d’Ele, enquanto era tempo, com um pequeno lucro no bolso.

E Pedro?

Pedro era o braço direito de Yeshua, e no local onde Yeshua foi preso, portava uma espada. Para uma pessoa que investiga, deduz que Yeshua trata de verificar que armas seus companheiros tinham em mãos. Sabemos que havia zelotes entre as pessoas que rodeavam Yeshua, para isto basta observar sua correção política. No entanto, Yeshua não fazia parte da resistência contra o domínio romano. Yeshua mandava pagar o imposto a César, enquanto os zelotes não. Yeshua estava em hostilidade aberta com o fariseus, e Pedro não. Os fariseus eram legalistas1 e hipócritas, apesar de serem severos em suas observâncias.

1- Legalista: que defende o cumprimento estrito das leis ou de quaisquer normas; relativo a legalismo: fidelidade à legalidade; adesão ou conformidade estrita ou literal a uma lei ou código de leis. (dic. Houaiss)

Terceira – Por favor, faça sua pergunta ao espírito de amarelo.

Fale-me sobre Marcos, o evangelista.

Marcos sugere que os fariseus queriam matar Yeshua por causa de suas ações. Isto não procede, pois este argumento se enfraquece pelo fato de que eles não desempenharam papel algum na prisão e execução de Yeshua.

Os saduceus!!

Os saduceus, aristocracia1 clerical e laica de Jerusalém, mostraram-se empenhados em assegurar a queda de Yeshua, pois eles integravam o status quo de forma bem diversa dos fariseus. Os fariseus eram admirados e respeitados pelos outros judeus. Sua ala liberal via com bons olhos os ensinamentos e atividades de Yeshua. Yeshua foi teologicamente caracterizado como um fariseu liberal de esquerda, embora sua audaciosa declaração de que nenhum tipo de comida era impuro possa haver causado uma séria desavença com eles. Yeshua prega a ressurreição no Juízo Final, e atestava a vinda dele e o Reino dos céus; e isso era doutrina farisaica.
Voltando ao assunto anterior, havia uma pequena quantidade de militantes anti-imperialistas entre as pessoas que rodeavam Yeshua, mas as autoridades romanas tinham claro que o que Yeshua realizava não tinha o propósito de derrubar o Estado.

1- Aristocracia: nobreza, classe nobre, privilegiada, fidalguia, preeminência, distinção.

Não foi por isso que Ele foi crucificado?

Na verdade o porquê de Yeshua ter sido crucificado é desconhecido para vocês, mas não foi porque ele se dizia ser filho de Deus, e era evidente o que Yeshua queria dizer com isso, pois todos os judeus eram filhos de Deus. Israel era coletivamente filhos e filhas de Deus.

E os milagres?

Vamos observar que aqueles que sabiam e presenciavam os milagres, não teriam aceitado a todos literalmente. Voltemos ao tema de Filho de Deus! Tomado no sentido literal humano, o título de Filho de Deus fatalmente teria resultado que Yeshua fosse apedrejado na hora até a morte por blasfêmia, apesar de que ser filho de Deus não constituísse uma blasfêmia, pois Deus não tem a constituição física que vocês imaginam. Lembra-se do que conversamos em Curitiba e o que a Bela Senhora falou sobre Yeshua?

Quarta – Faça a pergunta ao espírito de azul.

Desculpe-me, mas desejo que as pessoas saibam:
Yeshua via a si mesmo como o Salvador do mundo?

Grande parte do que Ele é levado a dizer pelos que escreveram d’Ele, sugeriria isso, mas seu campo primário de referência sempre foi o mundo. Yeshua se via como salvador do mundo vaticinado (profetizado) pelo Velho Testamento, com uma missão para o mundo. Yeshua exortou as pessoas a pregarem a boa nova que trouxera, um dito claramente contrário à prática das sinagogas.

Fale-me sobre Paulo.

Para Paulo foi deixado a tarefa de evidenciar as implicações universais da missão de Yeshua, o que não quer dizer que ele não estivesse consciente delas.
Só os romanos tinham o poder de executar, e Paulo sabia disso, e a ele não interessava as altercações1 ideológicas de seus súditos coloniais, ele se interessava por tais disputas arcanas2apenas se elas ameaçassem gerar consequências políticas. Paulo sabia que entrariam em alerta se Yeshua houvesse afirmado ser o Messias político, já que Messias era visto sobretudo como um líder militante, que colocaria Israel de pé outra vez. Yeshua, perante os romanos ou qualquer que seja, não afirmou ser o Messias, exceto em duas ocasiões não bem explicadas por quem escreveu os evangelhos. Ser o Messias pode ser interpretado no sentido religioso, o que não cons-tituiria em si uma ofensa discriminatória, não seria blasfêmia, pois na época era visto mais como humano do que como divino.

1- Altercação: discussão ardorosa.

2- Arcano: discussão sobre assuntos misteriosos, secretos.

Yeshua falou que destruiria o templo em três dias.

A ideia de que um carismático errante (que anda ao acaso, sem destino certo), como era visto Yeshua, com um bom número de seguidores e todos eles em maior parte desarmada, não constituíam muita gente que pudesse destruir o templo. Soou absurda a afirmação de Yeshua, no sentido literal, pois havia milhares de guardas do templo, isso sem falar da guarnição romana. Em geral, Yeshua deixava a outros a tarefa de lhe aplicar os rótulos e raramente dizia se estavam certos ou errados. Ele fugia deliberadamente de qualquer forma de definição. Nenhum dos termos que usavam parecia aplicar-se bem.

Mas terminou no Calvário!!

É certo que Yeshua terminou no Calvário por sua enorme popularidade entre um segmento dos pobres que invadiam Jerusalém em grande número para o feriado da Páscoa judaica, e que sem dúvida olharam para Ele em busca de alguma possibilidade de salvação do domínio romano, apesar de que o apoio popular com que Yeshua contava não era de modo algum tão expressivo em termos de massa humana. Mesmo assim, havia uma expectativa geral de que Deus estivesse por fazer algo drástico. E Ele fez, só que o objetivo era a ressurreição, não uma revolução.

Muitas pessoas comuns parece que saudaram Yeshua como rei, durante sua entrada em Jerusalém; parece tê-lo confundido com o Messias davídico, o guerreiro mítico que havia de reparar a sorte de Israel e confundir os inimigos, era isto?

Isto pode ter criado o tipo de clima altamente inflame (que inflama, exalta os ânimos) em uma capital já politicamente carregada de tensões, que alarmou os governantes judeus de Jerusalém. A Páscoa era uma notória oportunidade para os desordeiros. Temerosas de que a presença do pregador galileu na cidade pudesse ser a centelha de uma insurreição, e de que esta, por sua vez, causasse uma reação militar violenta dos romanos, as autoridades reagiriam.

Quinta – Faça sua pergunta ao espírito de vermelho,ele está esperando!

De acordo com a inscrição em sua cruz, Yeshua parece ter sido executado porque afirmou ser o rei dos judeus, reivindicação que certamente teria alarmado os romanos. Isto procede?

Sabemos que não há evidência alguma de que Ele tivesse qualquer pretensão à realeza, mas pelo modo como entrou em Jerusalém foram engendradas tais suspeitas, ou as obtusas interpretações sobre as observações a respeito do reino de Deus. Apesar de sua prudência, Yeshua fez observações, privadamente, que poderiam ter sido usadas dessa forma. Claro que os oponentes judeus de Yeshua o consideravam um falso profeta, impostor, falso mestre, e sentiram que tinham excelentes razões para matá-lo. Os evangelhos não pretendem ser documentos psicológicos, eles não proporcionam muito acesso ao que Yeshua fazia.

Pode me falar sobre o episódio de Yeshua espalhando os vendilhões do templo?

A violenta atuação de Yeshua ao tentar limpar o templo dos agentes de câmbio e vendedores de animais consagrados ao sacrifício, beirava perigosamente à blasfêmia. Este foi o motivo suficiente para que os adversários o condenassem à morte, pois a reverência ao templo era uma característica essencial do judaísmo, e um golpe contra o templo significava um golpe contra Israel. As práticas de compra e venda contra as quais Yeshua se voltou eram usuais nos rituais. Interferir nessas transações seria tomada como ofensa religiosa. Os comerciantes do templo, em sua maior parte pró-romanos, eram desprezados pelos judeus, e assim a demonstração de Yeshua contra eles ofereceu temores às autoridades judaicas. Os dirigentes do templo controlavam a moeda corrente e a economia de Israel; o lugar era encarado, entre outras coisas, como um bastião da classe dominante. Expulsar do templo essas pessoas não foi porém interpretado como um gesto anticapitalista. Yeshua sabia muito bem que os peregrinos não poderiam trazer de casa os animais para o sacrifício, por temor que fossem considerados impuros pelos sacerdotes que os inspecionavam na chegada. Assim sendo, eles compravam uma pomba no próprio templo e precisavam trocar dinheiro para isso. Ora, Yeshua derrubou as mesas desses mercadores de pombos, declarando que o local estava se transformando num antro de ladrões.

Posso saber alguma coisa sobre Pilatos?

Nem sempre os romanos se deixavam levar pelo fluxo dos acontecimentos. Pilatos tinha uma queda especial para crucificar pessoas, ele é apresentado como um liberal vacilante, com uma certa propensão para a metafísica1, mas conhecemos seu registro histórico para saber que ele não era nada disso. Na verdade foi um vice-rei notoriamente bruto, um preposto romano acusado de suborno e crueldade, de ordenar execuções sem julgamento, e acabou afastado com desonra. Crucificou indiscrimi-nadamente, o que ajuda explicar por que Yeshua foi enviado de modo tão sumário à morte, embora não significasse óbvia ameaça ao Estado.
Vocês amenizam a vileza de Pilatos.

1- Metafísica: sutileza ou transcendência do discorrer – de estilo caracteristicamente intelectual e filosófico.

E o Sinédrio?

A presença de Jesus ante o Conselho de Governo dos judeus está longe de um espetáculo de poder. Os integrantes do Sinédrio não estavam ali para condenar Jesus a qualquer custo. Os membros do Conselho chegaram a um acordo sobre Jesus; entretanto, ao recusar-se a responder perguntas, selou sua morte.

E o Messias?

Messias não nascem em estábulos!! Yeshua é o Salvador. Nada sobre seu nascimento e morte é apresentado como heroico. A ideia de um messias crucificado é um oximoro1 tão absurdo como a ideia de um tirano de bom coração. Um messias, como era apresentado no templo, ecomo aconteceu com Yeshua, constituiria uma novidade absurda na tradição judaica, e também uma ideia grotescamente ofensiva.

1- Oximoro: é uma figura de linguagem que harmoniza dois conceitos opostos numa só expressão, por exemplo: um instante eterno; obscura claridade; música silenciosa; responder com silêncio eloquente – paradoxismo.

Sexta – Pergunte agora ao espírito de azul.

Como se fazia a crucificação?

Crucificava-se não apenas porque aquele era um meio horrível de se morrer, mas porque ele

exibia a impotência e humilhação do supliciado para o público – uma assustadora advertência aos insidiosos (traiçoeiros) em potencial. O fator de exposição ao público era mais vital que a dor, significava um ato implicitamente dirigido a uma plateia. Yeshua levou três horas paramorrer devido ao sangue que derramou durante seu açoitamento, isto diminuiu o tempo de sua agonia.

E os discípulos?

Os discípulos de Yeshua fugiram em pânico depois de sua prisão, e sobre a deserção de seus servidores é quase autêntico o que sabem. O gesto de Pedro negando três vezes Yeshua é embaraçoso. Os discípulos de Yeshua não eram brilhantes e com frequência, de maneira quase exasperadora, entendiam mal o que Ele falava. Pedro, em particular, tendia fazer às pressas interpretações equivocadas e temerárias.

Insisto, Yeshua teria buscado sua própria morte?

Em parte, no Getsêmani, ante a perspectiva de sua iminente crucificação, Ele atraiu a morte sobre si. Escolher a Páscoa para ir a Jerusalém, Ele estava ciente de que um conflito com as autoridades seria inevitável. Yeshua sentiu, através do Pai, que somente pela morte chegaria a cumprir a vontade d’Ele. Yeshua morreu por ser humano em uma ordem social crucificadora. É bom lembrar que antes de sua morte Yeshua deixa seu próprio corpo a seus seguidores, para que seja consumido sacramentalmente como um novo princípio de unidade com os outros e não como um princípio de diferenciação.

Fale-me sobre o Sermão da Montanha!!

Nas beatitudes, bem-aventurados são os pobres, famintos e desolados. As palavras de Yeshua não são para prever o futuro, mas alertar, os que vivem no presente, de que o futuro decertohá de ser bastante desagradável, a não ser que mudem seus costumes. Yeshua coloca-se como skandalon, ou bloco de pedra fundamental da nova ordem que estava sendo construída com os destroços da velha. A kenosis1, ou autodespojamento, é a condição para uma abundância de vida. Yeshua é um vanguardista e não um reformulador social. Para alcançar uma ordem social justa, envolve passar pela morte, pelo nada, pela turbulência do autodespojamento. E isso, ao fim e ao cabo, dado o estado patológico da humanidade de autoilusão, só é possível pela graça de Deus, pelo que Yeshua declarou nas beatitudes.

1- Kenosis: esvaziamento da vontade própria e aceitação do desejo de Deus. No Novo Testamento: o esvaziamento de Jesus. Na vida do cristão, para alguns, o exemplo do esvaziamento de Cristo é de “tirar de nosso coração tudo aquilo que nos prende ao mundo”.

Sétima – Pergunte agora ao espírito de amarelo.

Gostaria de saber algo sobre o Pai-Nosso!

A oração do Pai-Nosso é um documento escatológico1, o que chamamos de suave perfume de Yeshua: dar além da medida, oferecer a outra face, regozijar-se em ser perseguido, amar nossos inimigos, recusar-se a julgar, resistir ao mal, deixar-se exposto à violência dos outros. A imprudência, a imprevisão e um estilo de vida superior são sinais de que a soberania de Deus está implícita na oração do Pai-Nosso. Yeshua não é uma imagem de santo com olhar suave e cabelos lavados, como você sempre diz, mas um ativista incansável, ferozmente intransigente.

1- Escatologia: doutrina que trata em tom profético ou apocalíptico do destino final do homem e do mundo. (dic. Houaiss)

Yeshua rejeitou as leis judaicas?

Apesar do modo de vida emancipado, Yeshua de modo algum rejeitou as leis judaicas. Ele desafiou sua coisificação1 (das leis judaicas), procurou resgatar sua essência, o amor ao próximo, do cerne mistificado2. Yeshua e seus discípulos respeitavam e observavam o sabá, prática por sinal consistente com a aversão de Yeshua pelo trabalho desnecessário. O que justifica o sabá é descansar do trabalho e aproveitar o lazer, como vocês escreveram que Deus fez no Gênesis depois de criar o mundo. O que está em questão é recusar-se a fazer do trabalho um fetiche (algo a que se presta culto). O estilo de vida sereno de Yeshua, entre outras coisas, é uma representação implícita contra aqueles que transformam em ídolo o trabalho, a disciplina e as normas.

1- Coisificação: redução a coisa, a objeto, a valores exclusivamente materiais.
2- Cerne: a parte mais íntima, essencial; âmago. – Mistificado: que foi vítima de mistificação; iludido, burlado.

Desejo perguntar uma coisa estranha: Ele quis inaugurar uma nova religião?

Yeshua não queria inaugurar uma nova religião, a história faz com que pareça que Yeshua estava em desavença com o templo e com o judaísmo tradicional. Yeshua tornou claro para seus discípulos que sua missão era restrita à salvação da humanidade, ao que temos a certeza de que Ele encarava sua vida na terra, sua morte e sua ressurreição como cumprimento da lei de Moisés. Ele defendia o amor e não a lei, os sentimentos internos contra o ritual externo. Ele se interessava pelo que as pessoas faziam, não pelo que sentiam.
Ora, a lei judaica era, ela própria, a lei do amor.
A lei mandava tratar com humanidade seus inimigos, ser brando com os inimigos. Assim sendo, nenhum mestre da lei judaica poderia discordar de Yeshua, quando Ele advertia que o sabá é feito para o homem e não o homem para o sabá. Yeshua viu a si próprio como o cumprimento da lei do Pai, no sentido de que sua própria pessoa a revelava como a lei do amor. O corpo alquebrado1 de Yeshua é o verdadeiro significado da lei. Esta é uma das várias razões pelas quais Yeshua não desejou criar uma nova religião, mas confirmar o que era justo e legal. Ao encarar a lei em simples humanidade, Yeshua também podia falar a vocês, católicos, que ficavam fora da dispensação2 mosaica. Yeshua é mostrado regularmente em convívio com pecadores que pilhavam os pobres, incluía os cobradores de impostos. Yeshua, portanto, não apenas se relacionava com todos e não exigia nada de ninguém. Era a fé n’Ele, não a conformidade com o judaísmo que garantia a salvação. Yeshua, como vocês o compreendem, não quis inaugurar uma nova religião.

1- Alquebrado: enfraquecido, fraco, abatido, prostrado.
2- Dispensação: rel. período de experiência a que um protestante é submetido para provar a sua obediência a algo especialmente revelador da vontade de Deus. (dic. Houaiss)

Yeshua desceu ao inferno depois da crucificação?

Yeshua, em sua crucificação e descida ao inferno, na visão de muitos, é feito pecado, identificando-se com a escória e o refugo da terra, suportando uma solidariedade com o sofrimento, o mal, o desespero, para transformá-la em ressurreição. Yeshua triunfa sobre o fracasso. Era necessário que a morte de Yeshua fosse uma realidade para poder transformar-se em novos horizontes. Essa descida ao inferno é conhecida pela fé cristã como a ressurreição, reconhecer a escuridão como coisa de vocês, discernindo nessa imagem monstruosa um reflexo de vocês mesmos e da condição histórica, este é um ato revolucionário que vocês conhecem como conversão. A cristandade persiste com a firmeza do convívio da ida de Yeshua ao inferno, isso assombrosamente aconteceu.

Posso confiar no que diz o Evangelho, porque vocês estão me fornecendo coisas sobre Yeshua que desconheço, e a única fonte que tenho são os escritos dos evangelistas.

Os evangelhos não pretendem ser a biografia de Yeshua, eles não estão preocupados com sua aparência, como lhe esclareceu a Bela Senhora, ou se tinha passatempo preferido. Eles não esclarecem se tinha animal de estimação etc., se repartia o cabelo para a direita ou se preferia nadar ou correr. Precisamente, esses documentos dos primeiros tempos nos quais os eventos são modelados e padronizados para ilustrar que Yeshua assume verdades teológicas. Os evangelistas aprovados foram figuras históricas, mas é impossível para vocês saberem como esses textos foram associados. Muita coisa não sobreviveu, e o evangelho de Marcos foi o primeiro a ser escrito.

Posso perguntar mais?

Só mais uma, a oitava pergunta, ela deverá ser dirigida ao espírito de azul,

nosso tempo está terminando.

Vou voltar à pergunta inicial:Posso entender que Yeshua,

dentro do contexto histórico, era um revolucionário religioso?

Decerto que Yeshua era muito menos revolucionário do que muitas personagens que vocês têm conhecimento, no sentido de que não propôs derrubar a estrutura do poder com que se defrontou. Isso se deve, entre outras razões, ao fato de que Yeshua desejasse que ela fosse substituída por uma forma de existência mais aperfeiçoada com sua justiça, paz, fraternidade e exuberância do espírito do que jamais vocês poderiam ter imaginado. Minha resposta não seja que Yeshua foi mais ou menos revolucionário, mas que foi um progressista a um só tempo, mais progressista do que muitos de vocês.

Obedeça, agora, quem o guia neste encontro, isto é necessário, nosso tempo está se esgotando.
Eu estava a caminho seguindo o espírito branco, quando então me deu coragem para lhe falar.
– Posso lhe fazer uma pergunta de ordem pessoal?
– Temos alguns segundos terrenos, não ultrapasse esse tempo.
– Por que vocês me escolheram?
– Não fomos nós que o escolhemos, isso foi um plano estabelecido por Aquele Que Tudo Comanda, atendendo o desejo da Bela e Serena Senhora.
– Você não respondeu à minha pergunta!
– Aquele Que Tudo Comanda demonstra afeição por você, Ele sabe que não é pessoa indefesa, é inteligente, respondão, tem um sentido de liberdade diferenciado, tem coragem para enfrentar coisas que a princípio não entende. 
– Tem mais!
– Não temos autorização para responder nada além disso.
– Posso falar?
– Temos o restante dos segundos!
– Acho que sou tudo isso, mas vocês não imaginam como é difícil fazer essa gente entender estas coisas.
– Foi por isso que muita gente morreu afogada.
– No dilúvio?
– Você disse!
– Quando vejo o desencontro das coisas terrenas com as coisas do Céu, fico desanimado, vocês não vão conseguir levar ninguém para o Céu.
– O que você deseja falar com “ninguém para o Céu”?
– É muita gente e ninguém está ligando para essas coisas.
– Nós estamos falando dessas coisas para aqueles que têm ouvidos do espírito, e somente necessitamos preencher o vácuo deixado por Lúcifer, nada mais importa, é compromisso nosso.
– Se eu quiser não falo mais nada, ponho tudo a perder, falo que estou louco, sem juízo, começo a falar coisas desencontradas, falo que tudo é mentira, falo que é da minha cabeça!!
– Você pode fazê-lo, por que não o faz?
– Não vou fazê-lo, e você sabe.
– Sei. Terminou o tempo que lhe resta.
– Quem é você?
– Sou o conjunto daquilo que o assiste.

Quando disse que terminara o tempo, eu ainda tinha perguntas a fazer, mas parece que não foi permitido. Havia um tempo a ser cumprido que eu não entendia, o espírito branco me levou de volta e acordei, já tinha amanhecido.
Naquela manhã tive a nítida sensação de ter tido um sonho muito esquisito, mas não dei importância. Peguei o computador e fui resolver o Terço da terça-feira (Basílica de Lourdes), quando reparei numa pasta estranha, que eu não tinha aberto, escrito Yeshua. Abri e dei de cara com os escritos, tudo desencontrado, mas estava lá, estava tudo escrito, faltando eu fazer apenas alguns acertos. Incrível, eles escreveram não sei como, mas escreveram, não era um sonho.
Quis escrever este relato da parte que me tocava, quando ainda estava nítido em minha cabeça, e o fiz da melhor maneira possível. Tem erros, mas escrevi.

Adaga: Arma branca de lâmina larga, curta, com dois gumes e pontiaguda, maior que o punhal.

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