Diálogos com os Anjos e Raymundo Lopes

Passei na prova?

Diálogo em que os anjinhos socorrem Raymundo em sua dúvida sobre sua tentativa de ingressar na política

Na noite do dia 7 deste (terça-feira), depois que cheguei da Basílica de Lourdes, encontrava-me visivelmente angustiado, porque tive meses bastante difíceis com minha campanha política, parecendo-me não encontrar em momento algum amparo do Céu.
Desde 1992 percebo que o Céu me dirige, apesar de reconhecer que já de pequeno tenho de Jesus e Maria uma presença constante. Mas nestes meses percebi, com clareza, que Deus quis deixar brotar em mim uma sensação de abandono. Contudo, isto me deu a certeza de que o Céu queria que eu tomasse as decisões por conta própria. O que fiz, desejando sempre que meus caminhos não afetassem o grupo missionário e nem a vontade de Deus, que defendo a todo custo.
Na madrugada do dia 8 (quarta-feira), não conseguia dormir. Levantei-me por volta das 2 horas e fui para a Capela. Lá chegando, abri o sacrário e pedi, com toda veemência, uma resposta de Jesus: se eu tinha errado em alguma coisa, que então me falasse. A porta do sacrário emitiu uma luz amarela e se fechou. Tomei a abri-Ia, e aconteceu a mesma coisa, agora com uma luz azulada. Então fiquei ali, por algum tempo, sem saber o que fazer. Em seguida, retirei-me e fui. tentar dormir.
Pela manhã, acordei com alguém batendo na porta do meu quarto. Olhei o relógio: eram 6 horas. Pensei ser o Frederico ou o Lu precisando de alguma coisa. Levantei-me imediatamente e fui abrir a porta.
Eram os meninos (anjinhos), que sempre me visitam. Estavam sentados no chão.Desta vez vestiam moletom colorido: um amarelo, um vermelho e um azul. E tinham na frente um sacrário fechado.
O de cor amarela foi logo declarando:
- Tentou abrir o sacrário, mas eu o fechei.
- Por que o fechou?
- Porque você ainda não estava preparado; queria uma resposta de Jesus, e Ele não queria lhe fornecer resposta alguma, queria que você mesmo a achasse.
Respondi:
- Como? Eu a achasse? Não entendi!
- Nos dias amarelos que antecederam a sua aventura política, Jesus desejava que você mesmo discernisse se queria ou não enfrentar outros meios, que poderiam possibilitar novos rumos à sua vida e à Obra Missionária.
- Mas eu decidi e enfrentei!
- Isto mesmo, decidiu e enfrentou. E era isto que Jesus queria que fizesse: decidisse por você mesmo, tendo como base o que lhe foi passado durante todos esses anos. 
- Fiz mal?
- Fez o que era necessário, para um procedimento que durante toda a sua vida lhe foi ensinado; desde pequeno Jesus e a Bela Senhora lhe incutiram no espírito a liberdade. Agiu bem. 
Não importando como foi feito, agiu bem!
- Foi por isso que você fechou a porta do sacrário?
- Fechei por ordem Dele, porque não era necessária uma resposta. - disse sorrindo.
O menino de azul chegou mais perto do sacrário fechado e disse também sorrindo: 
- Tudo azul?
- Não, não está tudo azul, ainda necessito de uma resposta de vocês se agi errado aceitando a incumbência de me tornar candidato, numa ocasião tão sofrida de minha vida. Até a presente data, não sei se tive ou não o apoio da igreja.
Ele pegou na minha mão e disse:
- Você tinha necessidade do apoio da Igreja?
Levei um susto quando ele me tocou, mas respondi: 
- Me desculpe, acho que não!
- Então, por que me fez essa declaração descabida? - replicou retirando a mão.
- Descabida? Acha, então, que o apoio da Igreja é descabido?
- Acho sua fé no racional descabida, quando está convicto de que o Céu o dirige, entendeu?
- É a Igreja! - enfatizei com energia.
- Não. É o racional. Igreja é outra coisa.
- Pode me explicar?
- Jesus é a Igreja. As pessoas designadas por Ele, com base no livre-arbítrio nem sempre falam por Ele.
- Foi você, então, que fechou o sacrário?
- Por que você acha que fui eu?
- Porque percebi, agora, que dali saiu uma luz azul, e azul é você!
- Está percebendo como sua razão funciona? - respondeu sorrindo.
- Como assim?
- Você decidiu, agora, que fui o responsável pelo fechamento do sacrário, porque percebeu uma luz azul. Assim foram seus dias que antecederam a eleição: via o racional em tudo, acreditava somente naquilo que percebia.
-Fiz mal?
- Não, não fez. Jesus queria que você decidisse como ver as coisas da matéria. Essa era a razão por que não lhe foi dada nenhuma resposta horas atrás. Jesus queria que você tivesse ciência do problema da visão racional; e isto você teve agora comigo.
- Não estou entendendo nada!
E sentei-me no degrau da porta, procurando chegar mais perto do sacrário. 
- Mais tarde você entenderá! - respondeu-me.
Então o terceiro menino, vestido de vermelho, me perguntou: 
- Não deseja abrir agora o sacrário, já que se acercou dele?
- Eu não, abra você mesmo!
Ele chegou bem perto de mim e falou baixinho:
- Teve a coragem de o abrir por duas vezes e agora declina, porque está Com medo da resposta que Jesus possa lhe dar?
- Não estou com medo nenhum!
Ele abriu as mãozinhas e falou alto: 
- Então abra! Então abra!
Abri. E lá estava um papel dobrado em quatro partes. Eu o abri. Na parte de cima, àesquerda, estava desenhado um boi, e à direita uma cabeça humana; embaixo, à esquerda, uma ave e à direita um leão. No centro estava o número 1260.
- Acho que vocês erraram, foram 1261. - disse-lhes.
- Você está falando de resultado político; nós lhe estamos falando da resposta de Jesus.
- Mas foram 1261!
- Não, foram 1260 mais o seu, que não conta.
- o que quer dizer isso?
- Isto quer dizer que, como a Bela Senhora se viu afastada por um período de 1260 dias, para ser protegida das investidas do demônio, nós nos afastamos, a mando Dele, para que você  tomasse decisões por conta própria e provasse que tudo que lhe foi ensinado poderá, com segurança, ser estendido  a outras áreas.
- Passei na prova?
- Com distinção! Me devolva o papel.
Devolvi o papel a ele, que o colocou de volta no sacrário, e continuei a conversa: 
- E agora?- perguntei levantando-me do degrau em que estava sentado.
Eles também se levantaram e responderam:
- Agora você está apto a evangelizar outras camadas da sociedade, porque sabemos que não será corrompido e nem levado pela fama e poder. É a fase vermelha do martírio e do sacrifício que se inicia; e Jesus e a Bela Senhora desejam que você a encare.
- Como vocês sabem disso?
- Jesus lê seu coração, mas não interfere naquilo que pensa.
-Então posso continuar, mesmo sabendo que muitos não me apóiam?
- Por que não?
- responderam em uníssono. 
- Garantimos-lhe: nós o apoiamos, masterá muitos problemas.
- Estou acostumado.
Como fizeram menção de sair, perguntei: 
- Estão indo embora?
- Não, apenas você não nos verá!
- Deixem o papel comigo!
- Para quê?
- Para mostrar às pessoas.
- Que papel?
- Tá bem, deixem pelo menos o sacrário!
Procurei o papel e o sacrário, mas não os vi mais. Procurei os meninos, haviamsumido!

Raymundo Lopes

Vila deI Rey, 8 de outubro de 2008

Diálogo extraído do livro "Uma incógnita dos Finais dos Tempos" p.62

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