Diálogos com os Anjos e Raymundo Lopes

Pode dormir, agora!

Os Anjinhos falam a Raymundo como realmente era Jesus
12 de outubro de 2007 – Vila del Rey

Pode dormir, agora! - Os Anjinhos falam a Raymundo como realmente era Jesus

Nestes dias eu estava sozinho, pois tinham viajado Geny, Frederico e Lu. Aliás, no primeiro dia (11), me fazia companhia a Bá. No dia 12 Rodrigo interrompeu sua folga e retornou, preocupado comigo. Eu não quis viajar com a família, ficando em casa para me refazer do cansaço dos últimos dias. O aconchego da Capela Magnificat me proporciona descanso, me revitaliza.
Chegando a noitinha subi para meu quarto, no andar superior, porque não me sentia bem, estava com dores no corpo, dormência nos braços, vista embaçada e uma terrível dor de cabeça. Tomei um analgésico e fiquei lendo, à luz com o reforço de uma luminária, até por volta das 23 horas. Depois entrei no quarto, fechei a porta e fui me preparar para dormir. Ao entrar no banheiro, escutei um barulho, como esses brinquedos que friccionamos no chão para que andem. Voltei para ver do que se tratava e, surpreso, deparei-me com os três Anjinhos brincando no tapete. Tinham nas mãos uma espécie de flor, amarela, vermelha e azul. Brincavam com elas, trocando-as entre si.
– Meu Deus! o que vocês estão fazendo aqui, dentro do meu quarto?
– Queremos brincar com você. – responderam os três.
– Brincar comigo?
– Podemos brincar? – perguntaram.
– Não vamos brincar. Vocês vão embora, porque quero dormir.
Tentei passar por eles, mas me seguraram e, com delicadeza, foram me conduzindo para a cama.

– Sente-se, queremos brincar!

– Não estou entendendo, vocês fazem brincadeira comigo a respeito do nome de Nossa Senhora, ficam rindo de mim, aparecem e desaparecem, me infernizaram com aquelas caixinhas e agora aparecem dentro do meu quarto, num momento em que estou sozinho, dizendo que querem brincar? Eu não sei brincar, ainda mais com anjos.

– Não sairemos daqui. Você está em perigo e a doce Senhora nos manda para lhe fazer companhia e conversar com você.

– O que vocês desejam, então?

– Você não pode dormir!

– Eu não posso dormir? Por quê?

Os três começaram a passar em meu corpo as “flores”. Um passava a amarela em minha cabeça, outro passava a azul em meu peito e braços e o outro passava a vermelha em minhas pernas.

– O que vocês estão fazendo?

O que estava com a flor amarela me disse:

– Está melhor a cabeça?

– Engraçado, a dor de cabeça passou.

Depois, o que estava com a flor azul começou a passá-la em meus braços e peito, e disse:

– E aí, passaram as dores do peito e dos braços?

– Eh! passaram.

Em seguida o que estava com a flor vermelha começou a deslizá-la pelas minhas pernas, dizendo:

– A dor nas pernas e nos pés irão passar, fique tranqüilo.

Como de fato, passaram. Fiz menção de deitar, mas eles me impediram.

Dois me pegaram pelos braços e um pelas pernas, forçando-me a ficar recostado na cama. E disseram:

– Não deite, fique recostado e converse conosco.

– Conversar o quê?

– Vamos falar sobre os Evangelhos.

– Ah! já sei, sobre os livros que os Missionários estão para publicar, baseados nas minhas conversas, não é isso?

 Nesta hora, um dos anjinhos, o que esteve comigo no México, disse:

 – Você está preocupado?

– Sim, estou.

– Com o livro dos Evangelhos?

– Sim.

– Imagine uma montanha.

– Por quê?

– Imagine.

Vi, então, em minha mente, uma montanha muito alta.

– O que você sente ao subir uma montanha?

– Sinto falta de ar.

– Você já viu floresta no cume das montanhas?

– Não.

– Por quê?

– Porque no cume das montanhas o ar é rarefeito e impróprio para plantas.

– É nos vales que as flores se abrem, as árvores crescem. Portanto, o livro dos Evangelhos fará um benefício enorme à camada simples e desprovida de teologia, longe do lugar onde vive. Entendeu? Deseja outro exemplo?

– Você tem?

– Conhece mangueira de regar jardim?

– Claro que conheço.

– Você já percebeu como a grama ao redor dela é sempre mais seca do que as que estão longe?

– É verdade, já percebi.

– É porque a água que sai da mangueira é sempre jogada ao longe.

É isso que deseja a doce Senhora. O livro irá jogar as palavras de Jesus bem distante e farão um bem enorme às pessoas. Entendeu?

– Claro que entendi. Por favor, deixe-me dormir.

– Irá dormir depois que o perigo passar!

– Mas, que perigo?

– Não estamos autorizados a falar sobre isso, queremos somente que fique desperto.

Depois eles começaram a falar sobre a vida de Jesus, me contaram muitas coisas, de como Jesus agia, como enfrentava os problemas sobre a Sua autoridade etc.

 O Anjinho do México me contou:

 – Têm sido escrito livros e mais livros sobre Jesus, Ele como Filho de Deus. Entretanto, Ele queria ser lembrado era como Filho do Homem.

Nazaré, onde Jesus foi criado, era uma cidade pequena duma província afastada. Nos círculos elegantes de Jerusalém, era moda fazer pouco da rudeza de seus costumes e linguagem, de sua simplicidade de maneiras. Os galileus sabiam perfeitamente do desprezo da gente da metrópole por eles, mas aceitavam a coisa com brandura. A vida era alegre, despreocupada. Havia sol quase todos os dias. A terra era fértil. Ganhar a vida não era coisa que desse muita preocupação. Jesus trabalhava na oficina de carpinteiro, foi um líder entre eles. Jesus sabia que era maior do que Nazaré.

 O Anjinho de Never me contou:

 – Na capital (Jerusalém), seu primo João (Batista) era a sensação da temporada. As pessoas elegantes acorriam ao rio para ouvir seus discursos, e chegavam a aceitar de que se arrependessem e se batizassem.

Jesus ouviu essa notícia com muito interesse. Veio um dia em que Ele deixou a carpintaria. Sua hora tinha chegado. Pendurou as ferramentas e partiu para Jerusalém, a procurar João para ser batizado.

 O Anjinho de Roma disse:

 – A recepção que João fez a Jesus foi eloqüente:

“Eu é que devo ser batizado por Ti e vens a mim?”

Durante a cerimônia do Batismo, e pelo resto do dia, Jesus viveu num estado de exultação. Ia fazer grandes coisas, como João, sentia o poder se agitar dentro de si, estava ansioso por começar.

Terminando o dia, veio a noite e com ela vieram as dúvidas. O dia de suprema confiança havia passado, tinham chegado os dias da terrível premonição.

 O Anjinho do México disse:

 – Os dias de dúvida de Jesus são contados em 40. É fácil de imaginar essa luta solitária. Tinha deixado uma boa profissão entre as pessoas que o conheciam e que confiavam nele. E, para quê? Para tornar-se um ambulante, falando a gente que nunca tinha ouvido falar Dele?

De que deveria falar? Como, com Sua falta de experiência, devia encontrar palavras para Sua mensagem? Não teria cometido um erro?

Foi quando Satanás o tentou, dizendo:

“Tem fome? Aqui estão pedras, transforme-as em pão.”

A tentação do sucesso material. Era desnecessário para Ele ter fome. Tinha uma boa profissão. Podia construir um negócio próspero e adquirir conforto e riqueza. Por que não?

Satanás vem novamente, leva-o a uma alta montanha e mostra-lhe os reinos do mundo:

“Tudo isso será seu, basta apenas que me obedeça.”

Ele poderia ir a Jerusalém e entrar para o sacerdócio, seria um caminho certo para a eminência. Ou poderia procurar a política; havia descontentamento bastante que Ele poderia aproveitar. Ele conhecia o lavrador e o obreiro. Ele era um deles, eles lhe dariam ouvidos.

Durante 40 dias e 40 noites a luta incessante prosseguiu, mas uma vez resolvido, resolvido para sempre. Na calma daquele deserto, veio a majestosa convicção, que é a própria imagem da liderança: a fé em que Deus o tinha mandado ao mundo, para realizar uma Obra que ninguém mais podia realizar, e se Ele negligenciasse, não seria realizada.

O Jesus carpinteiro ficou no deserto; de lá veio o Mestre dos mestres.

 O Anjinho de Never disse:

 – Até mesmo homens muito importantes eram tocados pela autoridade de Jesus. Ele se encontrava em Jerusalém havia apenas um dia, quando bateram à Sua porta à noite. Abriu-a e encontrou Nicodemos, um dos homens célebres da cidade, membro do Sinédrio, o Supremo Tribunal de Justiça. O jovem Mestre, quase desconhecido, e o grande homem, meio curioso, meio convicto. Jesus podia muito naturalmente mostrar que se sentia honrado pela visita. Mas não houve tal nota na entrevista. Jesus respondeu a Nicodemos: “Em verdade te digo, que se não nasceres de novo não verás o Reino de Deus.” E depois: “Se tratando de coisas terrenas, não me crês, como crerás, se te falar das celestiais?”

O famoso visitante nunca esqueceu a impressão que nele causou a espantosa segurança de Jesus. Dentro de algumas semanas as multidões, ao longo das margens do mar da Galiléia, deveriam responder ao mesmo poder. Eles estavam bem acostumados aos discursos dos escribas e fariseus, argumentos longos e complicados, apoiados por muitas citações da Lei. Mas Jesus era diferente. Ele não citava ninguém. Sua própria palavra era apresentada como suficiente.

Ensinava com autoridade e não como os escribas.

 O Anjinho do México disse:

 – Seus amigos ficaram assombrados ao ficarem sabendo os nomes dos 12 (Apóstolos), que Jesus escolhera para Seus colaboradores. Que lista! Nem uma única personalidade conhecida entre eles. Uma coleção estranha de pescadores e negociantes de pequena cidade e um cobrador de impostos.

Havendo reunido Sua organização, restava a Jesus a tarefa de ensiná-la. E aí residia um grande elemento de Seu sucesso: Sua interminável paciência.

A Igreja ligou a cada um dos discípulos o título de santo, mas eles estavam muito longe da santidade, quando Jesus os escolheu.

Durante anos, Jesus os teve consigo, dia e noite, despendendo toda a Sua energia e recursos num esforço para criar uma compreensão neles. Contudo, durante todo esse tempo eles nunca compreenderam plenamente o que Jesus dizia. Tudo o que Ele pudesse dizer ou fazer, eles continuavam persuadidos de que planejava derrubar o poder romano e se estabelecer como governante de Jerusalém.

Nunca se cansavam de discutir sobre a maneira como deveriam ser divididos os cargos. Mas Jesus nunca perdeu a paciência. Ele acreditava que a maneira de incutir fé nos homens era mostrar-lhes que tinha fé neles.

 O Anjinho de Never disse:

 – De todos os discípulos, Simão Pedro era o mais ruidoso e agressivo, sempre fazendo sugestões, sempre proclamando firmeza de sua fé.

Um dia Jesus lhe disse: “Antes que o galo cante, amanhã tu me negarás.”

Pedro ficou indignado: “Mesmo que me matassem, nunca o negaria.”

Jesus apenas sorriu, e nessa noite aconteceu. Qualquer chefe teria abandonado Pedro, mas Jesus não disse uma palavra de censura. Em vez disso, conservou Sua fé em que Pedro prosseguiria valentemente.

Era ousado, mas Ele conhecia Seu discípulo.

A vergonha da negação temperou, como fogo, o ferro daquela natureza; daí por diante não houve mais hesitação em Pedro, nem mesmo na morte.

 O Anjinho de Roma disse:

 – Os discípulos de Jesus eram homens simples, sem preparo, com fraquezas e paixões elementares. Entretanto, por causa do fogo de Sua convicção pessoal, por causa de Seu maravilhoso instinto para descobrir-lhes os poderes latentes e por causa de Sua fé inabalável, Jesus os modelou em uma organização que foi avante vitoriosamente.

 O Anjinho de Never disse:

 – Jesus, ao entrar no Templo, Seu semblante transformou-se em cólera e, de repente, sem uma palavra de advertência, dirigiu-se à mesa em que estava sentado um gordo cambista e jogou-a violentamente através do pátio. O assustado ladrão mergulhou para a frente, para agarrar os seus ganhos, perdeu o equilíbrio e esparramou-se no chão.

Outro passo e uma segunda mesa derrubada, e outra, e outra. A multidão amontoou-se em volta de Jesus, mas Ele continuou sem olhar para a direita nem para a esquerda. Chegou aos balcões, onde estavam as gaiolas das pombas, e com movimentos rápidos e seguros soltou seus ocupantes. Depois derrubou os varões dos cercados do gado e tocou os animais para as ruas. As coisas aconteceram tão rápidas, que os sacerdotes ficaram sem saber o que fazer.

 O Anjinho do México disse:

 – Existem pessoas para quem parecerá quase irreverente sugerir que Jesus era fisicamente forte. Elas pensam nele como uma voz, uma presença, um espírito. Mas muito cedo Jesus foi trabalhar na oficina de carpinteiro da família, e a prática da carpintaria não era coisa fácil naqueles dias. Certamente o que se encarregava da construção de uma casa, assumia a responsabilidade de cavar os alicerces, de derrubar árvores nas florestas e de aparelhá-las.

Basta ver nas telas dos pintores que o retrataram, para ter a certeza de que quase todos eles têm mostrado um homem frágil, sem músculos, de fisionomia branda. Deram-lhe uma impressão errada. Esse não é Jesus, cuja palavra fez os discípulos deixarem seus trabalhos, para se alistarem numa causa desconhecida.

A saúde fluía dele para criar saúde nos outros. Sua vida ao ar livre, a rijeza de aço de Seus nervos, era Jesus.

 O Anjinho de Roma disse:

 – Existiu um homem doente, preso ao leito havia anos, que tinha ouvido falar de Jesus e que convenceu quatro amigos a levarem-no à casa de Cafarnaum. A casa estava tão apinhada de gente, que não puderam entrar. Mas o inválido insistiu, até que seus amigos subiram-no por uma escada exterior e desceram-no através do telhado. Jesus foi interrompido no meio de uma frase. O doente jazia a seus pés. Jesus sorriu, depois inclinou-se tomando com firmeza a mão do doente: “Filho, estão perdoados os teus pecados. Levanta-te, toma o teu leito e anda.”

O homem, que há tanto tempo tinha se entregado ao desespero, apanhou seu leito e partiu, curado, como centenas de outros na Galiléia, pelo poder de uma fonte transbordante de força.

 O Anjinho de Never disse:

 – Todos os Seus dias foram passados ao ar livre. Ele caminhava constantemente de aldeia em aldeia. Tinha o rosto queimado pelo sol e pelo vento. Até mesmo de noite Jesus dormia ao relento, quando podia.

Ele era um homem do ar livre, e as vagarosas atividades de Seus dias explicam Sua força, Seus nervos de aço.

 O Anjinho do México disse:

 – Até Pilatos o sentiu. Os dois, Jesus e Pilatos, apresentavam um estranho contraste. O governador romano, cujos lábios pronunciaram a sentença de morte, e o silencioso e seguro antigo carpinteiro, aparentando-se como se estivesse de algum modo além do alcance da lei dos homens. Pilatos encarou Jesus, e de seus lábios saiu uma frase:

“Eis o homem!”

 O Anjinho de Roma disse:

 – Foi na pequena cidade de Caná, não longe de Nazaré, que Jesus e sua doce e santa Mãe tinham sido convidados para uma festa de casamento.

Freqüentemente, tais comemorações duravam vários dias. Todo mundo esperava divertir-se ao máximo, enquanto durasse a comida e a bebida. Era uma questão de orgulho, para a mãe da noiva, oferecer comida e bebida que durasse muito tempo.

O entusiasmo ia ao auge, nessa ocasião, quando um servo murmurou um aviso desolador à anfitriã: “O vinho acabou.” A Mãe de Jesus percebeu o que acontecera e segredou-lhe o pedido:

“– Filho, o vinho acabou! – Muito bem, o que importa isso?”
Jesus mandou buscar seis talhas e ordenou que as enchessem de água. Quando o conteúdo da primeira foi retirado, ergueram seu copo em saudação ao noivo e à confusa e feliz noiva:
“Todos costumam pôr primeiro o bom vinho, e quando já beberam fartamente, servem o inferior. Vocês guardaram o bom vinho até agora.”

O Anjinho de Never disse: 

– Durante anos, Jesus andou para cima e para baixo, pelas margens do seu lago e através de vilas e cidades, tentando fazer o povo O compreender.
Hoje, presenciamos homens e mulheres em mosteiros, torturando-se com roupas grosseiras, e clamam que são adeptos de Jesus.
Jesus, que amava a multidão, que reunia crianças ao Seu redor, onde quer que fosse, que celebrava a admissão dum novo discípulo com uma festa em que toda a vizinhança tomava parte:
“Erguei alto a cabeça, sois senhores do universo, só um pouco abaixo dos anjos, filhos de Deus.”
Sua última ceia com Seus discípulos foi uma hora de solene recordações.
As almas de Seus discípulos estavam pesadas pela premonição.
Jesus falava gravemente, mas todo o propósito de Suas palavras era reanimar seus corações e encher seus espíritos de uma fé triunfante.
“Eu vos deixo minha Carne e meu Sangue. Tende bom ânimo, fazei isto em memória de mim.”
Eu, então, falei com um deles:
– Olhe que escrevo sobre isto que estão me contando!
– Por que não? Se tiver vontade, escreva!
Percebi que já estava clareando o dia, e que eles falaram tudo isto de Jesus para me manter acordado. Eles, então, me disseram:
– Pode dormir, agora. Vamos indo.
E dormi, porque não percebi mais nada.
Acho assustador como me lembrei de tudo que me disseram. Não sei explicar, é tudo muito simples e está na Bíblia, mas eles me contaram tudo isto e puderam me manter acordado.

2007 @ Todos direitos reservados para o SIM-Serviço de Informação Mariana