Obra Missionária

Cerimônia da morte de São José

Capela Magnificat – Vila Del Rey - 19 de março

Cerimônia da morte de São José

No dia 19 de março, a comunidade católica festejou à memória de São José, o casto esposo de Maria. A Obra Missionária, em particular, celebrou pela primeira vez aCerimônia da morte de São José, elaborada por Raymundo Lopes.
Tratava-se na verdade de um projeto antigo, como confessa seu autor: “Depois que compilei toda a história da Assunção de Nossa Senhora aos céus (livro A Dormição), passei a dever-lhe a edição de como José, seu querido esposo, entregou sua alma a Deus na companhia de seu filho adotivo.” A Capela Magnificat, em Nova Lima, estava repleta para cultuar o humilde carpinteiro que teve a honra de cuidar do Filho de Deus.

 

Cerimônia da morte de São José foi inspirada nos Livros Apócrifos, escritos no Egito por volta do séc. IV, e que chegaram aos nossos tempos em apenas duas versões, uma copta e outra árabe, com poucas diferenças. Os escritos apócrifos trazem informações biográficas de relevo, ausentes na literatura canônica da Bíblia, é verdade, mas que nos inspiram uma caminhada frutuosa pelos primórdios da nossa fé.
O rito segue as palavras do próprio Jesus, que narra a história do santo ancião aos apóstolos, no monte das Oliveiras. José, nascido em Belém, impunha-se pela sabedoria e pela excelência no ofício de carpinteiro. Uniu-se em santo matrimônio a uma mulher que lhe deu seis filhos: Judas, Joseto, Tiago, Simão, Lísia e Lídia. José era um homem justo e dava graças a Deus em todos os seus atos. Vivia do trabalho de suas mãos, conforme estabelecia a lei de Moisés. Um dia sua esposa morreu, deixando o filho Tiago ainda menino de pouca idade. Nesta época, os sacerdotes do Templo decidiram procurar um homem de bem para casar-se com Maria, que contava apenas doze anos, nove dos quais passara no próprio Templo. Convocaram então as doze tribos de Judá, representadas por doze homens, e a sorte recaiu sobre o bom José. Os sacerdotes disseram a Maria: “Vai com José e permanece submissa a ele, até que chegue a hora de celebrar teu matrimônio.” Recebida na casa de José, Maria cobriu o pequeno Tiago de carinhos e cuidados, motivo por que foi chamada de “a mãe de Tiago”. Dois anos depois, o Verbo de Deus encarnou-se em seu seio virginal. Voltando de viagem, o espírito de José turbou-se diante dessa gravidez, e ele pensou em abandonar Maria secretamente. No entanto, o Pai enviou Gabriel, Raphael e Uriel, os “Arcanjos da Alegria”, que lhe disseram em sonho: “José, filho de Davi, não tenhas cuidado em admitir Maria, tua esposa, em tua companhia. Saberás que o que foi concebido em seu ventre é fruto do Espírito Santo. Dará à luz, então, um filho, a quem tu porás o nome de Jesus. Ele apascentará os povos com o cajado de ferro.” Obediente, José aceitou Maria conforme os Arcanjos lhe haviam indicado. Pouco depois o imperador Augusto decretou o recenseamento, e o casal se pôs a caminho de Belém, onde Jesus nasceu. Em seguida, José foi avisado em sonho de que Herodes, o Grande, promoveria um grande massacre de crianças, no intuito de eliminar o Messias. Deu-se então a fuga para o Egito. Após a morte de Herodes, a sagrada família se estabeleceu em Nazaré, na Galileia. José continuava a exercer o ofício de carpinteiro. Jesus era-lhe completamente submisso. “Depois de tanto tempo, seu corpo não se mostrava doente, nem tinha a vista fraca, nem havia sequer um dente estragado em sua boca.” Já um venerável ancião de cento e onze anos, nunca lhe faltou a sensatez, a prudência e o sadio juízo. Foi quando um Anjo do Senhor lhe anunciou: “Tua morte dar-se-á neste ano.” Com o espírito turbado, José viajou a Jerusalém e orou no Templo. Suplicou pela proteção dos Arcanjos Gabriel, Raphael e Uriel, por uma morte sem dor e pela misericórdia do Pai na passagem para a eternidade. De volta a Nazaré, José foi atacado pela doença de forma implacável. Morreu no dia 26 do mês de Nissan, aos cento e onze anos de idade. Jesus derramou água sobre seu corpo, ungiu-o com bálsamo e declamou uma oração celeste que escrevera antes mesmo de encarnar-se no seio da Virgem Maria. Os próprios anjos o amortalharam. Os anciãos da cidade apresentaram-se para as demonstrações de luto, e depois o cortejo fúnebre o conduziu ao túmulo. Jesus, o próprio Deus encarnado, chorou sobre o túmulo deste justo e humilde carpinteiro.
Na Capela Magnificat, o cortejo fúnebre foi encenado pelos Missionários do Coração Imaculado, que representavam os doze apóstolos. Acompanhou-os a melodia única e inconfundível da espiritualidade missionária, que sempre enobrece as celebrações naquela capela. São José, o casto esposo de Maria, agora repousa em glória na sua câmara mortuária, confirmando a declaração de Raymundo Lopes: “A Capela Magnificat é dedicada à morada dos três: José, Maria e Jesus.” 

David Braga Pereira

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