A Festa da Dedicação - Jo 10,22-30


Basílica de Lourdes, 28 de abril de 2015

Celebrava-se, em Jerusalém, a festa da Dedicação do Templo. Era inverno. Jesus passeava pelo Templo, no pórtico de Salomão. Os judeus rodeavam-no e disseram: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente”. Jesus respondeu: “Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos um”.

Comentário do Evangelho

Este Evangelho poderia ter começado apenas dizendo que Jesus estava no Templo e que algumas pessoas aproximaram-se e lhe fizeram perguntas. Mas não foi assim. Por que, então, começou dizendo que era inverno e que Jesus andava pelo Templo, sob o pórtico de Salomão? Nada no Evangelho é por acaso. Tudo tem um sentido. Os evangelistas, principalmente João, não tinham nenhuma intenção de contar histórias, tudo que escreviam continham mensagens.
O Templo de Salomão era o maior de Jerusalém, e o dia muito importante para os judeus: Dia da Dedicação. Era uma festa que lembrava o levantamento do altar do Templo, ao qual somente o Sumo Sacerdote tinha acesso. Esse Templo foi destruído por três vezes. Nas duas primeiras foi reconstruído.
Na terceira, destruído pelos romanos, não mais foi levantado.
A última estação do ano, sabemos, é o inverno, e o pórtico de Salomão representa aqui a porta da sabedoria, pela qual entramos para encontrá-la. Salomão simbolizava a sabedoria com toda a sua mística, pois sobedoria foi o que pedira a Deus.
No inverno, à porta da sabedoria, Jesus andava. Isto quer dizer: na indiferença de nossa inteligência em reconhecer o próprio Deus pelas suas obras, Jesus vem à sabedoria humana,
para aplacar-lhe a frieza, a insensibilidade de seu discernimento.
Os escribas e fariseus que ali estavam, certamente levados por Deus, freqüentavam o Templo. Tomados pela razão, fizeram aquelas perguntas. São perguntas que nossa razão faz diante da sabedoria, movida pela insensibilidade de seu discernimento: "Se és o Cristo, dize-nos abertamente." Jesus, ao responder, nos passa um ensinamento muito importante para nossa vida.
Façamos um parêntese, para entendermos o seguinte: ir para o Inferno é difícil, porque esta não é a vontade de Deus, que nos criou para o Seu convívio, em seu Reino. Por que, então, existe o Inferno, se a vontade de Deus é que ninguém vá pra lá?... Aí é que está a grande resposta deste Evangelho. Jesus é muito claro, quando diz: "…vós não credes porque não sois das minhas ovelhas. Minhas ovelhas escutam a minha voz, Eu as conheço e elas me seguem". Quer dizer, então, que existem ovelhas que o Pai não deu a Jesus e que não O conhecem; estas, então, estão destinadas ao Inferno. Assim antevê e determina Deus, à luz de Sua divina sabedoria.
E Jesus confirma: "Eu lhes dou a vida eterna e elas jamais perecerão, e ninguém às arrebatará de minha mão. Meu Pai, que me deu tudo, é maior que todos e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai."
Por isso existem ovelhas que não vão para o Inferno. E quem são elas? Aquelas que conhecem Jesus e O seguem, os eleitos, também antevistos por Deus desde a eternidade.
Para conhecer Jesus é necessário aderir interiormente a Ele, nascer de novo, do alto. A fé supõe uma afinidade espiritual com a verdade. A verdade do Cristo emana, sai dele: a caridade, a justiça, a esperança e, acima de tudo, o amor. Estas são, portanto, as ovelhas que o Pai deu a Jesus e que não se perderão, pessoas até mesmo de outras crenças, mas que O conhecem.
As outras, aquelas que ficam no Templo de Salomão, perguntando:
Você é realmente o Messias?, na consciência de Deus estão excluídas do rebanho de Cristo, destinadas, portanto, ao Inferno.
Daí a luta do demônio: ele não acredita nas ovelhas de Jesus.
Ele está, ainda, na grande pergunta racional: "Se és o Cristo, dize-o abertamente."
Esta pergunta é demoníaca. É ele quem a suscita em nosso coração, para que a façamos sempre, duvidando da presença de Cristo.
E a fazemos porque queremos sempre sinais evidentes, uma fé que se propõe racional, que lança raízes na razão, como se esta, por si, pudesse explicar toda a relação do divino com o humano. É a soberba buscando uma outra verdade. Mas Jesus conhece o Seu rebanho, aquele que Deus lhe deu, por isso não atenderá aos apelos da razão desprovida de espiritualidade, à soberba.
Portanto, precisamos ter sempre em mente esta grande promessa de Deus: As ovelhas que o Pai me deu ninguém as arrancará de minha mão. As pessoas que pertencem ao rebanho de Jesus devem dar graças a Deus por isto, pois não irão para o Inferno. Podem até passar um bom tempo no Purgatório, mas não se perderão.
Este é o Evangelho da esperança, da escolha, que nos mostra o poder do amor e desperta em nós uma vontade muito grande de viver. Independente de credo ou cultura, o amor é um só.
Este amor que reconhece Deus e que é o sentido de Sua escolha. Devemos refletir bem sobre tudo isto e, elevando o nosso pensamento a Deus, dizer: Meu Deus, se estou no teu
Coração divino, se faço parte do teu rebanho, que escolheste para louvar o amor, através de Jesus, eu te dou graças.

(explicação do Evangelho por Raymundo Lopes, extraído do livro "O CÓDIGO JESUS" p.158)

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