< A Parábola do Joio (Mateus 13,36-43) - O Código Jesus - Comentário do Evangelho por Raymundo Lopes na Basilica de Lourdes

A Parábola do Joio (Mateus 13,36-43)

Basílica de Lourdes, 30 de julho de 2013

Naquele tempo, Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!” Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: O Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO

Jesus nos mostra o caminho da racionalidade e o da espiritualidade. Ele nos conta várias parábolas. Quando lhe perguntaram por que falava em parábolas, Ele respondeu: "Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não…". Estes são aqueles sobre os quais Isaías profetizou: "…eles ouviram de má vontade, e fecharam os olhos, para não acontecer que vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e entendam com o coração e se convertam e assim Eu os cure." Jesus não queria jogar pérolas aos porcos. Não queria que aquela geração entendesse o que estava falando, pois eram revelações importantes demais para aquele povo calcado na espera de um messias que não tinha nada a ver com Ele. Nesta parábola, Ele fala como se a terra fosse um campo de trigo, no meio do qual nasce também o joio. E explica que o joio precisava crescer junto com o trigo até a colheita, para depois ser retirado, evitando assim que, ao arrancar o joio, com ele fosse arrancado o trigo. Parece que os discípulos entenderam as parábolas, menos esta, "de fácil interpretação". Por que não a entenderam? Será que não vislumbraram na pregação de Jesus uma ordem diferente? O que queriam, realmente, saber de Jesus sobre o joio e o trigo? Já conheciam o trigo e o joio e a diferença entre um e outro. O que eles queriam mesmo é que Jesus manifestasse o que era, de fato, o discernimento. Aquele era o momento do discernimento. Jesus aqui é muito claro, quando diz: "O que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno. O inimigo que o semeou é o Diabo. A colheita é o fim do mundo. Os ceifadores são os anjos."
Portanto, tanto Jesus como o Diabo são semeadores. Jesus semeia o bem, enquanto o Diabo semeia o mal. É como dissesse: Se se pratica o bem, colhe-se o bem, se se pratica o mal, colhe-se o mal. Era a grande proposta de Deus para a humanidade: o discernimento. Jesus não se propôs a separar o joio do trigo fora do tempo, e nem o demônio. Ambos estavam fazendo a sua parte: semeando. Deus deseja que saibamos viver na busca do discernimento. Se o conseguirmos, estaremos preparados para a colheita. Jesus quis, pois, alertar para o seguinte: O Diabo está fazendo o mesmo que faço: semeando; se vocês souberem discernir o bem do mal e tiverem força para seguir o bem, no final, quando Deus vier julgar, e só Ele tem o poder de separar o bem do mal, vocês estarão preparados para participar do Reino do Pai. Jesus quis dar uma explicação bem clara para que a humanidade, através dos séculos, assimilasse aquela verdade. Ele poderia ter explicado outras parábolas, também, mas não o fez. E por que esta foi explicada com tanto detalhe? Porque, aqui, Deus nos propõe que sejamos astutos e inteligentes.
A colheita será uma só. Tanto se colhe bem o trigo como o joio; tanto se faz uso do trigo como do joio, embora tenham sentidos diametralmente opostos. O importante é sabermos de que lado estamos nos posicionando. Devemos passar por esta vida dialogando sempre com Deus, pedindo, procurando, exercendo a experiência do discernimento, questionando-o: "Deus, eu não entendi! O que está acontecendo? Me explica! Jesus, vamos conversar? Hoje, quero te escutar."
Aqui aprendemos, também, como proceder num reino que não é nosso, não é de Deus, mas que é tão forte, que matou o Filho de Deus. Jesus ressuscitou para mostrar que existe um reino mais poderoso. Mas, quando humanizado, sofreu todos os pendores deste mundo. Não se cria um reino dentro de outro. Um tem de ser eliminado, para o outro existir. Por isso a Igreja nos ensina a dizer: Vinde, Senhor Jesus!
Jesus quer nos dizer: Tenham o discernimento para viver num reino que não é de Deus. Saibam passar por isto com astúcia e sabedoria, para depois encontrarem, realmente, o Reino de Deus. Nesta vida terrena não o temos. Por isso pedimos: Venha a nós o vosso Reino! Deus quer que Seu Reino venha e substitua o que está aqui. Não se fortalece e nem se cria dois reinos no mesmo local. Sempre os alerto: dialoguem com Deus, para que Ele possa lhes falar essas coisas. Para que tenham discernimento, tenham amor nas palavras, firmeza no momento de responder determinadas coisas, como provocações e questionamentos em suas vidas.
Em nossas orações, devemos sempre pedir a Deus: "Meu Deus, eu quero ter a capacidade de estar do teu lado, contado entre o trigo e não entre o joio."

(Explicação do Evangelho, por Raymundo Lopes, extraída do livro “Código Jesus”, p. 1 46-1 48)

2007 @ Todos direitos reservados para o SIM-Serviço de Informação Mariana