Deus quer escutar a voz que brota do coração, quando falamos com Ele - Mc 12, 13-17


Basílica de Lourdes, 02 de maio de 2015

Naquele tempo, as autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes para apanharem Jesus em alguma palavra. Quando chegaram, disseram a Jesus: “Mestre, sabemos que tu és verdadeiro e não dás preferência a ninguém. Com efeito, tu não olhas para as aparências do homem, mas ensinas, com verdade, o caminho de Deus. Dize-nos: é lícito ou não pagar o imposto a César? Devemos pagar ou não?” Jesus percebeu a hipocrisia deles e respondeu: “Por que me tentais? Trazei-me uma moeda, para que eu a veja”. Eles levaram a moeda, e Jesus perguntou: “De quem é a figura e a inscrição que estão nessa moeda?” eles responderam: “De César”. Então Jesus disse: “Daí, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. E eles ficaram admirados com Jesus.

Comentário do Evangelho

Jesus ncontrava-se em constante atrito com o poder daquela época. De um lado estavam os judeus, que queriam a ruína dos romanos e por outro lado estavam os romanos desejando a ruína dos judeus. Jesus não estava ali para agradar aos judeus, nem aos romanos, a missão d'Ele, naquele momento, era cuidar do Reino de Deus. Os judeus estavam no auge do aperfeiçoamento da religião e para a sua estruturação estabeleceram uma grande quantidade de regras e normas, que acabaram se tornando enfadonhas e até impossíveis de se cumprir. Por isto que Jesus disse que eles colocavam um fardo no ombro do outro e nos próprios ombros eles não colocavam nada.
Jesus estava tentando ensinar para aquele povo que não era necessário nada daquilo que eles estavam exigindo.
Foi neste clima que Ele tentava mostrar aos judeus e aos romanos o que era o Reino de Deus. Deus estava ali lendo o coração das pessoas e querendo falar com todas elas:
Ele estava preocupado era com o coração das pessoas.
Por isto que certa vez Ele pediu:
“Escutai a voz que brota do meu coração, pedindo a tua atenção”. Ele estava convivendo com uma sociedade que esperava um Messias dominador, aquele que iria enfrentar o poder romano.
Era muito importante para os judeus saber de que lado Jesus estava, se era do lado deles ou do lado dos romanos.
Eles queriam que Jesus tomasse uma posição, pois esperavam um Messias político que fosse defendê-los.
Por isto que Jesus, o Verbo Encarnado, viu que, ao fazerem a ele aquela pergunta, estavam armando-lhe um laço. A resposta de Jesus, com aquela sabedoria divina pode ser explicada como se Ele dissesse: “Eu não estou aqui para falar com vocês sobre impostos, não é esta a
minha preocupação, não estou aqui para liderar greves e nem fazer apologia sobre impostos. Eu estou aqui falando com vocês do Reino de Deus, desejo falar no coração de cada um, descer às profundezas de toda esta hipocrisia! Se querem colocar as coisas desta maneira, me respondam:
de quem é esta moeda com a qual estão preocupados? É de César? A resposta é simples: 'Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus', quer dizer, então paguem a César os impostos, deem a ele o que é dele. A minha preocupação não é o social, não é colocar vocês em situações que os levem a esquecer do caminho do Reino de Deus. Vocês são escravos de César, se deixaram vencer por ele, então, que se paguem os impostos àquele
que os domina.”
Mas Deus não está preocupado com os impostos, Ele está querendo é escutar a voz que brota do coração de vocês, temos que dar a Deus o que realmente é de Deus. Procurem não usar daquilo que é de Deus para criarem situações políticas e sociais enganosas.
A religião não deve se colocar impassível diante de tantas situações desagradáveis e desonrosas que presenciamos, todos os dias, na vida do ser humano. Compete a cada um de nós, particularmente, dar solução dos problemas que afligem o homem. Mas a resposta de Jesus está nos dizendo que devemos separar as coisas, que devemos participar, atuar naquilo que é de Deus e naquilo que é dos homens. Quando estivermos diante de Deus, queremos estar realmente de coração aberto diante de Deus. E quando estivermos resolvendo as situações diante de César (dos homens) que sejam realmente diante dos homens. Se soubermos manter o nosso coração aberto diante de Deus naturalmente estaremos com Deus no coração, resolvendo as situações diante dos homens.
Nossas atividades sociais, benevolências e interesses sociais não se enquadram naqueles momentos em que estivermos em adoração, desejando que a voz que Deus escuta seja realmente aquela que brota do nosso coração.
Aquilo que é de Deus é para Deus, não se igualam à moeda nenhuma, a nenhum imposto. Deus, quando desceu a terra, se encarnou, fez verbo não estava querendo nos dar amostra de condições sociais, mas sim de amor. Jesus fala de caridade, mas uma caridade com virtude, um outro tipo de caridade, a caridade do espírito, a caridade de gostar, de planejar a esperança, a caridade de mostrar as pessoas o reino de Deus.
Jesus não fala desta ação de pegar um prato de feijão e distribuir todos os dias para os pobres, ou levar para um pobre, isto não é caridade, é uma obrigação do governo. Para esta caridade há sempre quem plante o feijão, colha, cozinhe e distribua. Isto pode ser feito por qualquer um, que o pratica, sem compromisso, e pode deixar de ser feita a qualquer hora. A caridade mais difícil é aquela que brota realmente do coração e que permanece como um dom, uma virtude, um desejo de fazer cumprir o primeiro mandamento.
Ao explicarem este Evangelho, muitas vezes, atribuem esta frase de Jesus: “Daí, pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” às desavenças e descuidos sociais. Nenhum dos três evangelistas, Mateus, Marcos e Lucas, que narraram esta passagem, quiseram dizer isto.
Todos eles estavam dizendo para não se preocuparem com as coisas sociais, quando estiverem falando com Deus, pois Deus quer saber o que está se passando em nosso coração, Ele conhece cada um pelo coração. As ações, atividades, atitudes sociais, nem sempre expressam o que revela o coração.
É disto que este Evangelho está falando. Dê a Deus aquilo que pertence a Deus, aquilo que está no âmago de seu coração, aquilo que brota do seu íntimo. Não misture o Reino de Deus com aquele gesto que faz você pegar o seu prato de feijão e dá-lo ao pobre, isto é, dar a César o que é de César; cumpre aquilo que é sua obrigação social, não naquele momento da linha direta com Deus, dai a Deus o que é de Deus.
“E admiravam-se d'Ele”. Os evangelistas quiseram dizer que Jesus realmente sabia o que era de César e o que era de Deus.

(Explicação do Evangelho realizada por Raymundo Lopes)

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