Tomai cuidado com o fermento dos fariseus - Marcos 2,23-28

Basílica de Lourdes, 17 de fevereiro de 2015

Naquele tempo, os discípulos tinham se esquecido de levar pães. Tinham consigo na barca apenas um pão. Então Jesus os advertiu: “Prestai atenção e tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes”.
Os discípulos diziam entre si: “É porque não temos pão”. Mas Jesus percebeu e perguntou-lhes: “Por que discutis sobre a falta de pão? Ainda não entendeis nem compreendeis? Vós tendes o coração endurecido? Tendo olhos, vós não vedes e, tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais de quando reparti cinco pães para cinco mil pessoas? Quantos cestos vós recolhestes cheios de pedaços?” eles responderam: “Doze”. Jesus perguntou: “E quando reparti sete pães com quatro mil pessoas, quantos cestos vós recolhestes cheios de pedaços?” eles responderam: “Sete”. Jesus disse: “E vós ainda não compreendeis?”

Comentário do Evangelho

Jesus estava andando, pregando, e Ele fazia muitos milagres no sábado. Jesus curava nos sábados. Ele continuava andando, curando, acompanhado por seus apóstolos. Em dado momento, quando eles estavam num lugar afastado, os apóstolos ficaram imaginando que Jesus, por causa de algumas de suas palavras, estava achando ruim porque eles não haviam levado pão. Jesus aproximou-se deles e falou que eles ainda não estavam compreendendo e que ainda não tinham entendido o que estava acontecendo. Muita coisa já havia passado e Jesus já havia curado muita gente, Ele já estava começando a ficar famoso, todos já o conheciam. E muitos começaram a ficar incomodados com essa situação.
Jesus perguntou aos apóstolos se eles se lembravam quando se repartiu cinco pães para cinco mil pessoas e se se lembravam quantos cestos de pães haviam sobrado. Responderam que sobraram doze cestos de pães. Jesus, com isso, afirmava que dá os cinco sentidos para enxergarem e escutarem para formarem a Igreja. Os cinco pães distribuidos para as cinco mil pessoas é a Igreja que Jesus dá aos apóstolos e a nós. Jesus nos dá os sentidos da audição, do paladar, do tato, da visão, do olfato para a formação da Igreja, o número 12 representa a Igreja. E Jesus continuou fazendo lembrança de quando foi distribuído sete pães para quatro mil pessoas e que sobraram sete cestos. Refere-se, aqui, aos sete dons do Espírito Santo que animam a Igreja, que produzem a Igreja: são a sabedoria, a inteligência, o conselho, a fortaleza, a ciência, a piedade e o temor de Deus. Era disso que Jesus estava falando para aquelas pessoas. Por isso que Jesus afirmava que os apóstolos não estavam entendendo o que estava acontecendo, não entendiam que Ele criava uma Igreja sobre os cinco sentidos e os sete dons do Espírito Santo. A partir deste entendimento poderemos entender a Igreja humana que ora acerta, ora erra. E, por isso, não se pode esquecer que esta Igreja humana é assistida pelo Espírito Santo. Naquela época, Herodes que era o mandão, era muito amigo de uma casta de leigos que se chamavam fariseus. Eles não eram sacerdotes, eram leigos. A função daqueles leigos era tomar conta para que tudo fosse feito dentro da medida da Lei de Moisés. Era uma infinidade de coisas. Eles ficavam preocupados com minúcias, com coisinhas. O próprio Jesus transgredia muitas vezes essas leis, Ele curava nos sábados, Ele falava coisas que não estava naquele contexto dos fariseus. Porque Jesus fazia aquilo que para os fariseus eram transgressões? Porque nós não podemos ser estas pessoas duras de coração pois, assim, estaríamos perdendo coisas maravilhosas que acontecem em Jesus em razão de preocupação com coisinhas que são feitas ou não são feitas. Os fariseus eram leigos, eram aqueles leigos que ficavam prestando atenção para saber se os sacerdotes estavam fazendo as coisas certas, ou não. Essas pessoas que ficam vigiando para ver se os outros estão fazendo as coisas certas, ou não, perdem a grande oportunidade de examinarem a si mesmas, para saberem se estão no caminho errado ou certo. Perdem a grande oportunidade de examinarem as suas próprias consciências: para saberem se são capazes de perceberem os erros que estão cometendo, se aquilo que elas estão fazendo é o certo. Não podemos ser duros de coração. Jesus foi contra isso, Ele ficava triste com aquelas coisas feitas pelos fariseus. Hoje isto também acontece. Nós estamos cheios de fariseus do Século XXI.
Cada Igreja tem o seu grupo. Estão sempre dizendo: “Ah! O padre fez isso, o padre não fez aquilo!”. Deus está aqui.
Deus está em nossa presença e está curando o coração de muita gente! Por isso que Jesus disse assim: “Cuidado com o fermento de Herodes e cuidado com o fermento dos fariseus”. Que fermento é este? Naquela época, o fermento não era uma coisa muito boa não. Era considerado uma coisa falsa, pois não era o natural da massa. O fermento era visto, portanto, como um agente de corrupção. Tem gente que fica colocando o fermento dela em tudo quanto é lugar, achando que está fazendo a massa crescer, é o contrário, a massa cresce, mas ela diminui. Jesus foi muito claro no momento em que disse: “Cuidado com o fermento dos fariseus e de Herodes”. Jesus tocou no assunto de Herodes porque Herodes era uma pessoa muito esperta. Ele adulava os fariseus para eles tomarem conta daquelas pessoas que não davam notícias para ele. Herodes fazia tudo que os fariseus queriam. E os fariseus ficavam prestando atenção nas minúcias de tudo e contavam para Herodes o que estava acontecendo. Isto tudo acontecia porque Herodes precisava de alguma coisa para poder atrapalhar aquela Igreja da época, no meio dos judeus. Como ele não via nada de errado, ele usava dos fariseus para fazer isto. Foi por isso que Jesus falou para ter cuidado com o fermento de Herodes e dos fariseus. Esse Evangelho é muito simples na sua concepção. Nós nos acostumamos a ter uma coisa muito cheia de lógica, muito certinha e, se não entrarmos no âmago do Cristo, nós não vamos entender o Evangelho. Jesus sempre falou que é o caminho, que é misericórdia e que se preocupa com aqueles que estão prestando atenção em coisinhas que não levam a nada. Este Evangelho nos dá um grande recado de Jesus, que serve para os dias atuais: cuidado com estes fermentos que ficam dentro de vocês, achando que coisinhas estão sendo desfiguradas. Deus quer nos dar a graça da compreensão, a graça da observação, a graça do coração solto para Deus. Isso pertence a todos nós. Todos nós temos direito à graça de Deus, principalmente da graça da compreensão.
Estão me dizendo que eu estou colocando Jesus muito humano. Mas Jesus era humano. Jesus é Deus que quis se fazer humano também. Jesus quis nascer do seio da Virgem Maria. A única diferença é que Ele não tem o pecado e a gente fica aí arrastando pecados, arrastando os nossos fermentos que não levam a nada. Eu tenho absoluta certeza de que estes fariseus do século XXI vão todos morrer chatos, sozinhos, resmungando. Mas ninguém quer morrer assim, não é mesmo? Todos nós queremos morrer com a graça de Deus.


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