Evangelho Lucas 1,46-56


Basílica de Lourdes, 22 de dezembro de 2015

Naquele tempo, Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem.
Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.


EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO

Para entender esta passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 21,28-32) é necessário analisar, também, os versículos anteriores (Mt 21 , 23-27): Jesus é questionado pelos príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo sobre com qual autoridade Ele fazia o que vinha
fazendo e quem lhe havia dado autoridade.
Jesus, para responder à pergunta feita, apresenta outra pergunta, questionando aos sacerdotes e anciãos se João Batista batizava em nome de Deus ou em nome dos homens. Os sacerdote e anciãos não souberam responder porque estavam armados de uma perspicácia humana, se respondessem que de Deus, seriam questionados por que não crerem em João Batista; se respondessem que dos homens, tinham medo da reação das multidões que tinham João Batista por profeta. A parábola que Jesus conta, acerca dos dois irmãos, vem dar uma resposta à soberba daqueles que o questionavam.
Na parábola, apresentada por Jesus, um pai pede ao primeiro filho para ir trabalhar na vinha e o filho diz que não vai, mas, depois, vai. O mesmo pai pede a outro filho para ir trabalhar na vinha e o mesmo diz que vai, mas, depois não vai.
Jesus pergunta: “Qual dos dois fez a vontade do Pai?”. A resposta dada foi: o primeiro que falou que não iria, mas foi.
Logo após esta parábola, Jesus, aparentemente, muda de assunto e afirma que os publicanos (que cobram impostos e recebem dinheiro) e as prostitutas (que cobravam dinheiro daqueles que as procuram) chegariam primeiro no Céu, antes dos sacerdotes e anciãos. Jesus apresenta os publicanos e as prostitutas como aquelas pessoas que estavam num mesmo patamar, no sentido de que sabiam estar errados diante de Deus, portanto, davam seu não a Deus, e, por isso, tinham uma postura firme na escolha que fizeram.
Jesus, na verdade, não mudou de assunto, Ele afirma essa precedência no Céu, dos publicanos e prostitutas sobre os sacerdotes e anciãos, em razão da parábola que havia contado antes.
Em dois mil anos de evangelização responde-se errado, junto com os sacerdotes e anciãos judeus da época, a pergunta: “Qual dos dois fez a vontade do pai?”. A resposta correta é: nenhum dos dois irmãos fez a vontade do pai. Ambos os irmãos fizeram a própria vontade: o pai ficou sem saber se um iria ou se o outro iria. Não há diferença nenhuma no comportamento dos dois: porque não souberam distinguir as coisas.
Deus não gosta de coisa morna. Jesus, no sermão da montanha, disse: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disso é procedência maligna.” (Mt 5,37).
Jesus quis mostrar àqueles que o questionavam que, quantas vezes for necessário, Deus endossa o sim ou o não. Porque Deus Pai que está nos Céus quer pessoas firmes nas decisões e não pessoas mornas.
Deus não admite o morno no Céu.
Jesus demonstrou para os sacerdotes e anciãos que, da mesma forma como não quiseram responder à pergunta sobre João Batista, os mesmos tinham uma postura morna diante da própria vida, eles mesmos se enganavam por não terem postura firme: ou no sim, ou no não! Faziam a vontade própria.

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