Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus - Lucas 8, 19-21

Basílica de Lourdes, 23 de Setembro de 2014

Naquele tempo, a mãe e os irmãos de Jesus aproximaram-se, mas não podiam chegar perto dele por causa da multidão.
Então anunciaram a Jesus: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem te ver”. Jesus respondeu: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO

O evangelho de hoje é muito polêmico porque Jesus estava falando no meio de uma multidão e, então, falaram assim: “a tua mãe e os teus irmãos estão aí fora te esperando, eles querem falar contigo”. O que eles queriam falar com Jesus naquele momento em que Ele estava ocupado com as coisas do Pai, o que teria naquele momento de tão importante que deveria interromper uma catequese do Cristo para atender mãe e irmãos, ou outra pessoa que fosse? Hoje nós somos interrompidos a todo momento pelas coisas lógicas da nossa vida, nós somos interrompidos por afazeres, por problemas.
Muitas vezes acontece alguém falar assim: “Olha, você está rezando aí, mas tem isso “assim” que pode ser feito”. Na igreja isso ocorre a todo momento, pessoas dando desculpas, uma atrás da outra, pessoas impondo condições para poder evangelizar, catequizar. As pessoas esquecem que Jesus está disponível a todo momento, de madrugada, a qualquer hora, Ele está disponível para escutar. Jesus, na verdade, nos atende a todo momento mas quem somos nós pra falar assim: “Olha Senhor, pare com essa conversa aí porque sua mãe e seus
irmãos querem falar com você. É como se mãe e irmãos fossem mais importantes do que uma catequese, é como se laços familiares fossem maiores do que a palavra de Deus. É
isso que Jesus quis dizer.
Então Ele vem com aquela resposta: “Quem é minha mãe, quem são meus irmãos? Minha mãe e meus irmãos são aqueles que fazem a vontade de Deus”. Jesus não estava se desfazendo da mãe dele não, Ele não estava fazendo caso dos primos dele, que na época eram chamados de irmãos. Jesus quis nos mostrar que quando estamos imbuídos da palavra de Deus, ou catequizando, ou no exercício de nossa religião, nós não podemos ser interrompidos por interrupções banais. Essas interrupções banais são, também, condições que nos impomos, deixando-nos ser interrompidos quando, por exemplo, dizemos assim: “Eu só vou à missa se...!” “Eu só vou ser catequista se...!” “Eu só vou ajudar o padre se...!” “Eu vou fazer a novena na minha casa se...!” Nós impomos condições. Ele nos ensina, nessa passagem, que a palavra de Deus, a nossa catequese familiar, a nossa catequese de vida, ela deve ser primordial, ela deve vir em primeiro lugar.
A misericórdia de Deus é justa. Confundimos a misericórdia de Deus com o pensamento de que Ele fará todas as nossas vontades, e não é assim. Existe uma coisa entre nós e o Divino que se chama livre-arbítrio, nós podemos fazer o que nós quisermos, nós podemos realizar o que nós quisermos, mas Deus também pode.
Clamamos pelo nosso livre-arbítrio mas não queremos que Deus tenha a sua escolha e vontade. Nós não queremos que Deus tenha a vontade Dele mesmo. O que vivenciamos hoje é uma constante imposição de condições para Deus, “vou ver se eu posso”, “vou ver se a minha agenda está tranquila”,” vou ver se na hora do terço não tem nada para eu fazer”, “hoje eu posso assistir missa”, “eu vou se eu puder”, “eu vou se eu tiver tempo”, “não, eu não vou catequizar fulano porque não adianta, é evangélico e não vou falar tal e tal coisa”, mas, neste último caso, quem sabe não se pode provocar alguma mudança, e seja, esta evangelização, uma vontade de Deus! É importante lembrar que, no momento em que realmente não pode, Deus está ali olhando e sabendo o que se pode fazer ou não se pode fazer, Ele sabe julgar os nossos corações.
Para entender o Evangelho, precisamos entrar no âmago do Cristo, entender o Ele queria falar, o que ele quis dizer.
Quando Jesus afirma que a mãe e os irmãos dele são os que fazem a Sua vontade, Jesus apresenta a situação de que Deus também pode condicionar, caso criemos situações para não fazer a vontade Dele. Deus também tem escolhas e vontade.
Assim como os anjos e santos. A própria Virgem Maria também tem seu livre-arbítrio, ela está na Bem-aventurança. O sim de Maria ao anjo Gabriel, para permitir o nascimento de Jesus, é produto de seu livre-arbítrio, isso fez resultar a salvação. O sim de Maria permitiu, ainda, uma maior santidade em São José. Quando Jesus afirma “minha mãe (...)
aquele que faz a vontade de Deus”, ele não se referia estritamente à Virgem Maria, Ele não se referia à genitora, Ele se refere àquilo que cria, aquilo que faz que tenhamos vida, aquilo que faz com que nos movimentemos, que tenhamos vontade, é neste sentido a mãe. E a Virgem Maria, neste sentido também é Sua mãe. O primeiro respeito pela Virgem Maria foi realmente o de Jesus, foi Ele que respeitou a Mãe. Com relação aos irmãos, sabemos que Jesus não teve irmãos nascidos da Virgem Maria.

 

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