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As almas resgatadas do Purgatório: 8ª a 11ª testemunhas

15 de setembro de 2000 - Vila Del Rey.

No dia 10 de abril (antes, no dia 1º, conversando com o Francisco, vi que o dia 10 seria Sexta-feira Santa) fiquei atento, levantei-me cedo e fiquei mais quieto, nas proximidades da Capela. 

Pela manhã recebi a visita de D. Heloísa, que almoçou comigo; e pela tardinha chegaram Neida e Elci, acompanhados de outras pessoas, que ficaram até as 18 horas, aproximadamente.
Por volta das 15 horas, tinha resolvido rezar o Terço, lembrando-me ser a hora em que a Igreja celebra a agonia de Jesus na cruz. Afastei-me e fiquei sozinho no meu quarto rezando.
Por volta das 21 horas, olhei pela janela do quarto e achei estranho a Capela estar toda azul, uma luz estranhamente azul envolvia tudo. Desci, entrei na Capela e vi uma cena impressionante: pessoas andando no corredor da Capela; eram como vidro, transparentes, todas saindo da Capelinha onde fica a poltrona na qual Nossa Senhora se assenta quando me visita. Corri entre elas, em direção à cadeira, e vi Nossa Senhora direcionando essas pessoas ao altar central onde temos o Santíssimo Sacramento.
Perguntei, então, a Ela: 
– Quem são essas pessoas? Por que estão assim?
– São almas que foram resgatadas pelas orações de vocês. Elas estavam no Purgatório desde os primeiros séculos da era de vocês, e agora foram libertadas devido aos meus pedidos e amparadas na oração de vocês.
– São muitas, Senhora?
– São milhares, mas algumas delas irão lhe falar.
– Falar comigo?
– Sim. Desejo, a pedido de Jesus, que propague essa oração inspirada, porque é um meio poderoso de resgatar almas que estão no Purgatório há séculos, muitos séculos, e algumas que tiveram o privilégio de se verem livres agora, porque lhe inspirei uma fórmula simples com a qual vocês entram em contato com o coração de Jesus e o Meu. Lembra-se quando declarei que o meu Imaculado Coração triunfaria, e depois declarei que triunfou?
– Lembro-me sim, Senhora.
– Pois, se essa oração for rezada nas Missas, será também um triunfo para o meu Imaculado Coração, porque Satanás não consegue segurar, como tentou segurar, o braço de Jesus oferecendo a vocês a misericórdia.
Então, algumas dessas almas começaram a falar e as outras, que não obtiveram a autorização de Nossa Senhora, dirigiam-se para o Sacrário; e todas elas parece que entravam no Sacrário e desapareciam. Enquanto falava, cada alma adquiria uma cor: avermelhada, amarelada ou azulada.

Sou Hilário1 (tom avermelhado)

Vim ao mundo no ano Domini (ano do Senhor – depois de Cristo) 315. Fui casado e tinha uma filha. Minha família era importante, mas pagã. Fui sagrado bispo em 350, e como bispo não compareci ao Sínodo de Arles, em 353, nem em Milão, em 355. E nesse ano promovi uma resistência a Saturnino, metropolita da Gália (atual França), e foi por essa causa que Constâncio (imperador romano) me desterrou para a Ásia Menor. Lá escrevi De Trinitate. Participei do Sínodo de Selêucia e depois fui ao encontro do imperador, solicitando-lhe uma conversa pública com Saturnino; mas fui impedido e por causa disso retornei à Gália. Tentei uma excomunhão de Saturnino, e devido a isto a Gália foi reconquistada ao catolicismo. Mais tarde tentei com o imperador o afastamento do bispo Auxênio. Depois da morte de Constâncio, fiz desmoronar o arianismo2 no ocidente. Eu estava convicto de que a dignidade da fé requer uma adequada forma de apresentação, mas meus escritos eram difíceis de entender. Fui um dos maiores teólogos do ocidente, e o Comentário de Mateus me trouxe notoriedade. Em 365 escrevi os Tractatus super Psalmos, em latim, e o Tractatus Mysteriorum.
Na minha concepção, a fé na divindade era fundamental. Eu dizia que Jesus tomou a natureza humana no seu corpo, contudo não era um corpo terrestre, mas corpo celeste, porque Ele mesmo se formou na Virgem Maria. Eu dizia que os milagres de Jesus não foram propriamente milagres, mas um modo natural de ser e agir. Jesus não experimentou dor e nem necessidades. Como afirmava Clemente, da cidade de Alexandria, Jesus não podia morrer. Devido a estes questionamentos, e alguns outros, estava no Purgatório até esta data. Foi o pedido de vocês que permitiu que as forças celestes, encabeçadas por Maria, a Mãe de Jesus, viessem em meu auxílio.

1 - Hilário (315-367): santo e doutor da Igreja, proclamado tal por Pio IX. Foi chamado o “Atanásio do Ocidente”. Santo Atanásio foi bispo de Alexandria do Egito, celebrado pelos bizantinos como um dos quatro grandes doutores da Igreja oriental. Alexandria, cidade egípcia, foi centro cultural da Antiguidade ocidental, a partir do século III a.C. 
Bizantinos eram os habitantes de Bizâncio, antiga capital do Império Romano do Oriente, que depois passou a chamar-se Constantinopla, atual Istambul, na Turquia. 
2 - Arianismo: primeira grande heresia cristã (doutrina contrária ao que a Igreja define como verdade de fé), assim denominada por se ter originado das ideias professadas por Ário (256-336), nascido na Líbia e padre na cidade de Alexandria. O arianismo questionava a natureza da divindade de Jesus Cristo, afirmando que o Filho, Pessoa da Santíssima Trindade, não era totalmente divino, não sendo coeterno com o Pai (que existe com o Pai eternamente), a primeira Pessoa, e sim apenas um homem educado à imagem e semelhança de Deus. “O Filho tem um princípio, mas Deus não tem princípio; Ele existe antes de todos os seres, inclusive o Filho.” Essas formulações contrariavam o dogma cristão que estabelecia ser o Filho coeterno do Pai. Ário ensinava que o Pai era eterno, sem começo ou fim, mas que Jesus – o Verbo – havia sido criado por Deus e que, por sua vez, o Verbo criara o Espírito Santo. Assim, da Santíssima Trindade só o Pai era Deus enquanto os dois outros componentes ficavam a Ele subordinados (subordinacionismo); sua divindade, portanto, era concebida pelo Pai e, em tal circunstância, inferior. Pregava que o Logos, a Palavra de Deus que em Jesus se fizera carne, não era o próprio Deus, mas uma criatura infinitamente superior aos anjos, embora como eles criada do nada antes do começo do mundo. Na verdade, essa ideia privava o cristianismo de sua afirmação central segundo a qual a vida e a morte de Jesus tinham o poder de redimir, pois eram ações do próprio Deus. Foi condenado (o arianismo) no Concílio Ecumênico de Niceia, em 325, e posteriormente no Concílio de Constantinopla. Em ambos os concílios ficou estabelecido que o Cristo era filho de Deus, coeterno do Pai e igual a Ele “por ser da mesma substância ou essência” (homoousios). O Concílio de Niceia não só condenou Ário e seus seguidores como produziu um Credo, chamado Niceno-Constantinopolitano, onde diz “(…) Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai; por ele todas as coisas foram feitas. (…) e se encarnou pelo Espírito Santo…”. 
Fontes: Dicionário Histórico de Religiões - Editora Nova Fronteira (2002); Os Santos do Calendário Romano - Editora Paulus (2001); Santos & Pecadores - História dos Papas - Cosac & Naify Edições Ltda. (1998); e Dicionário Houaiss.

João de Éfeso (tom avermelhado)

Nasci em 507 e morri em 586. Fui um convicto monofisita1 e fui bispo de Constantinopla2, quando era imperador Justiniano. Fui preso em 572, por ordem desse imperador, e passei a viver uma vida errante (sem destino). Escrevi História Eclesiástica, em 566, quando eu estava desterrado, e uma história dos santos orientais. Permaneci no Purgatório até agora e fui resgatado devido às orações de vocês e à interferência de Maria, a Mãe de Jesus.
1 - Monofisita, ou monofisista: Doutrina que refuta a definição ortodoxa da Igreja de que Jesus Cristo tinha duas naturezas completas, a humana e a divina (DH). Movimento cismático (dissidente), herético (que envolve heresia), difundido do Egito ao Oriente, propagador de uma doutrina, segundo a qual em Cristo existia apenas uma natureza: a divina. Condenado no Concílio de Calcedônia (hoje Kadicov – Turquia), em 451, o monofisismo continua vivo no Oriente (Egito, Palestina, Síria), sobretudo nos meios monásticos (em mosteiros). (DHR-NF)
2 - Constantinopla: antiga cidade de Bizâncio, fundada no século VII a.C., cujo nome passou para Constantinopla, pelo imperador romano Constantino, o Grande (306-377 d.C.), que a torna sede do Império Romano do Oriente, também chamado Império Bizantino (330-1435 d.C); a partir de 1930 passou a chamar-se Istambul. (DH)

Eu também sou João, (tom amarelado)

João Mosco, nasci no século quinto, fui monge em Jerusalém, no Egito, no Sinai e em Antioquia. Depois que Jerusalém foi conquistada pelos persas (habitantes da Pérsia, hoje Irã), fui a Roma com Sofrônio, e foi em Roma que morri. Escrevi Pratum Spirituale, contando histórias de milagres e coisas edificantes. Em 519 escrevi, junto com Sofrônio, uma biografia de João, o Esmoler. Cometi pecados que Deus permitiu que não relatasse, mas fui retirado do Purgatório devido à oração de vocês e da Mãe de Jesus.

Eu sou Sofrônio, (tom amarelado)

amigo de João Mosco. Fui patriarca em Jerusalém. Na mesma época, e durante o reinado de Diocleciano (imperador romano, 284-305 d.C.), escrevi Cirilo1 e João. Fui retirado deste local por Maria, a Mãe de Jesus, e as orações de vocês.
1 - Cirilo: São Cirilo de Jerusalém (cerca de 313-387 d.C.), bispo e doutor da Igreja, título dado pelo papa Leão XII.

 Oração pelas almas do Purgatório

Senhor bom Deus, estamos aqui, humildemente, Te pedindo que tenhas misericórdia das almas dos fiéis que padecem no Purgatório; são irmãos e irmãs que viveram na terra e, por descuido, deixaram de fazer Tua vontade, por isso foram privados de Tua presença.
Tem pena deles, Te pedimos mais uma vez, com humildade. E, em resposta a Teu amor para conosco, Te oferecemos um Pai-Nosso, que, temos certeza, irá fazer com que essas almas sejam objeto de Teu olhar. 
Amém.
Pai nosso que estais nos céus,…
Agradeço a Deus por me ter criado e permitido que abra meus olhos e veja a beleza da criação.
Agradeço a Deus por permitir que deixe cair em meu rosto, em minhas mãos e meus pés a água que purifica.
Agradeço a Deus por sentir na boca o alimento que me nutre.
Agradeço a Deus por me mostrar que existem pessoas mais sábias do que eu, e com elas eu possa aprender muitas coisas mais.
Agradeço a Deus por deixar que eu ande e trabalhe, para que outros possam desfrutar de tudo isso que sinto em meu coração.

Atenção: Rezar esta oração preferencialmente na hora da Santa Missa.

Este diálogo encontra-se no livro (Uma incógnita do final dos tempos)

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