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Final de Milênio I

31 de março de 1992 - Vila Del Rey.

Este documento me foi passado por Nossa Senhora em 31 de março de 1992, na Capela Magnificat. Eu só o redigi em 21 do mês seguinte, na presença do Padre Mário Gerlin. Tornou-se conhecido ao Grupo Missionário no dia 1º de dezembro de 1996, na mesma Capela. Cinco dias antes (26/11), após a mensagem Abram a Bíblia e façam uso do Evangelho, Nossa Senhora me antecipou que só poderia publicá-lo quando tivesse em mãos algumas palavras da Irmã Margarida. Eu estranhei, pois essa Irmã havia falecido há vários meses (01/05/1996). Na manhã de 1º de dezembro, chega à Vila del Rey a missionária Sara Campos Rodrigues, trazendo uma carta da “florzinha beneditina” (Irmã Margarida) a uma religiosa de Bom Despacho. Entendi então que chegara o momento de atender o pedido da Mãe de Deus.

No dia 31 de março de 1992, Nossa Senhora estava comigo na Capela Magnificat, era o oitavo encontro dos nove que me pedira. Além do diálogo que pretendia publicar, ficava um trecho para o qual Ela me pedia reserva. Eu somente poderia mostrá-lo ao Padre Mário Gerlin, recomendando-lhe que o levasse ao meu Arcebispo. Se isto não fosse possível, nós dois deveríamos guardar segredo sobre o assunto, colocando-o em público somente em dezembro de 1996. Ela também me esclareceu que nessa data o Padre Mário não poderia mais falar sobre isto, pois Jesus já o teria levado (ele faleceu em 27/02/1993).

Eu perguntei a Ela:

– A Senhora sabe quando Padre Mário irá morrer?

– Não, mas até dezembro de 1996 ele não mais estará entre vocês!

– Posso falar isto a ele? – perguntei.

– Não. Este é um assunto sobre o qual você não deverá falar!

Vou procurar então relatar aqui, com a maior exatidão, o que escutei da Santíssima Virgem, naquele dia. Esclareço que já falei com Padre Mário, o qual me prometeu tentar falar com o Arcebispo sobre o assunto. Entretanto, atendendo ao que Ela me recomendou, nada lhe disse sobre sua morte.

Foram estas as palavras de Nossa Senhora:
“No ano da Terra de 1917, falei à pequena pastora Lúcia de coisas hoje conhecidas por vocês. Fiz conhecer também um assunto que pedi que o mantivesse em segredo e fosse revelado somente após o ano da Terra de 1960. São acontecimentos que, somente após esta data, seria conveniente serem levados a público. Lúcia os redigiu anos depois, para que, cumprindo pedido meu, fosse oficiosamente entregue ao Papa que estivesse no comando da Igreja.

Seus membros deveriam conscientizar-se dos momentos perigosos, quando a força de Satanás estivesse liberada entre eles, no período que compreendesse 1960 a 2015, e pedir a Deus sua divina intervenção. Caso contrário, se isso não fosse feito, Eu retomaria o assunto de mi-nhas aparições, utilizando de todos os meios, para uma conscientização e uma mobilização leiga, que pudesse atenuar este degradante processo porque, por vontade de Deus, no fim destes tempos, o meu Coração Imaculado deverá triunfar.

Alertei para o fato de que a Igreja de Cristo estaria, próximo do término deste milênio, susceptível a toda sorte de desgastes morais e financeiros e que, devido a isto, seus alicerces seriam abalados pela ganância e interesses pessoais de líderes leigos, bispos, arcebispos e cardeais. Uma tecnologia maligna dominaria o mundo, e os líderes religiosos seriam arrebanhados como doces ovelhas, iludidos pelo bri-lho efêmero de suas luzes, a seguirem o falso pastor, que os enganaria com promessas vãs, sem consistência espiritual e moral.

O coração da Igreja de Cristo seria invadido pela ciência sem Deus e por uma tecnologia comandada pelo Diabo. O descrédito diante dos dogmas causaria uma devastação sem precedentes em sua doutrina. E tudo isto aconteceria sutilmente, em seus bastidores, como um câncer a corroer todo o corpo da Igreja, comprometendo o seu organismo espiritual quando, no futuro, a razão sobrepujaria a fé.

Pedi que o Evangelho fosse urgentemente viabilizado em toda a terra e facilitada a sua compreensão pela camada leiga e simples da Igreja, para que fosse vivido em sua plenitude, e que isto deveria ser feito pela Igreja Católica Romana, com testemunhos de fé incontestáveis, para que se evitasse o máximo possível uma grande evasão de fiéis e, conseqüentemente, a proliferação de seitas promovidas pelo Diabo, que levariam os cristãos a sangrentas lutas, à divisão e ao descrédito.

O meu pedido não foi levado em conta, porque os Papas desse tempo se calaram, acreditando mais na eficácia da lógica do comportamento adotado pela Igreja humana, do que se entregarem à luta, comandados pelo Espírito Santo. 
Desprezaram a teologia mística e deram vazão à teologia da razão.

O Evangelho não foi levado ao Oriente, onde ainda prevalecem seitas milenares, perigosas à doutrina cristã, que desconhecem inteiramente Jesus. Temiam mártires, achando que bastariam mudanças drásticas, facilitando coisas na Igreja, para abri-la aos países asiáticos, não contando com isto que estariam também abrindo uma perigosa fissura na Igreja, facilitando a entrada de conceitos estranhos à doutrina de Cristo.

Deus, em sua Divina Misericórdia, permitiu que tomasse lugar, no trono de Pedro, um polonês escolhido por mim, para tomar sobre si, nos últimos tempos, o peso desse pecado de omissão e procurar 
atenuar, com minha assistência, esse processo degenerativo da Igreja.

Mesmo sabendo, agora, da impossibilidade de sua eficácia plena, se pôs à luta. Este homem, ao ter conhecimento do meu alerta, tomou sobre si esse pesado fardo, colocou-se em campo, imbuído da férrea vontade de servir a Deus e ao meu pedido feito em Fátima, no ano da Terra de 1917, e de salvar a maior quantidade de almas possível. Por isso, fiz minha presença nestes últimos setenta anos da Terra, numa profusão ininterrupta de aparições a leigos, com mensagens, sinais, locuções etc., no sentido de colocar o meu Coração Materno em ajuda a esse escolhido por mim, para que pudesse ter forças e não sucumbisse.

Deus agora, como estava previsto, permite a final provação à sua Igreja. Ela própria desfere o golpe final nesse homem e, numa velada desaprovação a seus constantes deslocamentos, tentando fazer nestes últimos tempos aquilo que deveria ter sido feito desde o início, quando o pedi, no ano da Terra de 1917, o fere mortalmente no coração.

Estamos no início do fim destes tempos, e o braço de Jesus baixará para a colheita. Foram muitos os chamados, mas infelizmente serão poucos os escolhidos. O mundo inteiro preocupa-se com catástrofes naturais, devido à perplexidade e ao silêncio dos Papas sucessores, ao tomarem conhecimento do que relatei à pastora Lúcia.

Previno, agora: elas virão, em resposta à omissão do corpo clerical superior da hierarquia católica, para a qual foi colocada por Jesus a tarefa de fazer sua Palavra conhecida e vivida no mundo inteiro, antes do término destes tempos. O castigo pela omissão foi bastante atenuado pelo trabalho deste polonês, mas, como está escrito, virá.

Agora, no raiar da aurora destes novos tempos que se aproximam, o meu Coração Materno se volta para a América Latina, pois desejo salvá-la, pela vontade de Deus Todo-poderoso, desta catástrofe da falta de fé. Esta é, pois, a razão porque tanto me manifesto na América e, agora, especialmente no Brasil.

Medjugorje é, para mim, a intenção de salvar um povo em guerra e dar ao mundo um modelo de paróquia voltada à evangelização pelo amor. Mas, mesmo lá, sentirei no final o gosto amargo da traição ditada por interesses mundanos.
Na América, é minha intenção evitar uma iminente guerra religiosa fratricida.

Abram as igrejas à prática do Rosário, sucedam-no ou precedam-no de Missas, deixem o leigo rezar e chamar sobre si o Espírito Santo. Consagrem a América a meu Coração Imaculado. Usem dos leigos, façam aquilo que o Concílio lhes proporcionou – maior liberdade de ação – e salvem a América Latina da apostasia do terceiro milênio. Levem este meu último apelo à hierarquia eclesiástica latino-americana e façam uma barreira ao fétido vento proveniente de uma Europa apodrecida pelo pecado da dessacralização. Desejo salvar a Igreja no Brasil, para que estenda a luz do Espírito Santo a toda América Latina.

Não se esmoreçam diante da indiferença comandada por interesses mundanos e de uma distorcida teologia interesseira, direcionada pura e unicamente a fazer a vontade dos homens, perdendo seu precioso tempo em batalhas sociais que poderiam ser resolvidas vivendo-se o Evangelho.

Que isto seja relatado a Dom Mário (Padre Mário Gerlin) e levado a seu Arcebispo. Se este não tiver o coração aberto, retorne a você até dezembro de 1996. Que o livre-arbítrio, voltado para o bem, aja.

Entrego a Deus minha tarefa cumprida, pois nada mais poderei fazer. Entretanto, com a permissão do Todo-poderoso, o meu Coração Imaculado estará triunfante.

Hoje lhe peço: ofereça as injustiças cometidas contra você emeu 
sacrifício pela conversão dos pecadores.

Muito obrigada por ter atendido ao meu pedido.”

Preocupado, perguntei:

– A Senhora me disse palavras de grande importância. Como me lembrarei de tudo isto?

– O que lhe falo, falo ao seu coração; você lembrará.

Dizendo isto, a visão começou a se desvanecer, até desaparecer por completo. 

 

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