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Final de Milênio III

Praça do Papa - Belo Horizonte - 11 de fevereiro de 1997

Vídeo da Aparição de Nossa Senhora em Belo Horizonte

 

O local escolhido para eu receber Jesus e Maria estava lotado.
A minha expectativa era um misto de angústia, por ser este o último encontro, mas ao mesmo tempo uma maravilhosa espera. Nossa Senhora tinha-me dito que viria acompanhada de Jesus, e eu a veria em toda a sua glória.
Nestes cinco anos de encontros e diálogos, sempre pensei que a estaria vendo em toda a sua glória. Por isso, não podia imaginar o que iria acontecer ao meio-dia, deste 11 de fevereiro. Quanto a Jesus, eu o tinha visto apenas uma vez, por ocasião do Pai-Nosso da Esperança, em Mons. João Alexandre, local conhecido por Cachoeira, município de Cláudio, MG, no dia 18 de setembro de 1993.
Comecei a rezar baixinho o Terço da Divina Chama: “Vinde, Espírito Santo, sede nossa força e nosso entendimento”. Por minha memória passavam as orações ensinadas por Ela e Jesus, e eu as rezava. Sentia-me em paz, muita paz. Uma inexplicável tristeza me invadia de vez em quando... e dava corda ao pensamento... Como gostaria que Nossa Senhora aparecesse a todas as pessoas, principalmente aos padres, freiras, bispos e arcebispos que me atacam, como também atacam aos que passam pelo que estou passando. Tudo se tornaria bem mais fácil! Não entendo porque o Céu não faz isto! Eles inevitavelmente se converteriam, e tudo seria diferente.
Por que será que Deus impõe um peso tão grande nos ombros dos que escolhe? Por que eu, justamente eu, que não possuo nenhum dom especial, fui escolhido para esta tarefa? Estou me sentindo tão fraco hoje, quando escrevo este relato, e já com uma saudade pesada e sufocante de Nossa Senhora. Só penso em morrer, para vê-la de novo no Céu, mas Ela me disse que tenho algumas coisas a fazer na terra, para a glória de Deus e salvação de muitas almas e de muitos dos que me rodeiam. Meu Deus, ajuda-me, pois tenho medo de Te decepcionar e não dar conta do que me pede Tua Mãe Santíssima. Seja feita a Tua vontade, Senhor!
Eis o que vi nesta tarde, na Praça do Papa, quando no horário solar faltava cerca de um quarto de hora para o meio-dia:
Em volta de mim, começou a formar-se uma invisível barreira. Ouvia anjos cantando uma interminável melodia. Aquilo me anestesiava, e eu, embriagado por aquelas vozes suaves e harmoniosas, ia me sentindo cada vez mais distante das coisas deste mundo.
De repente, vi abrir-se o Céu. Uma incalculável multidão de espíritos celestes começou a sair por aquela abertura amarelo-ouro, numa velocidade incrível. Saíam, saíam, não terminavam de sair, eram mi-lhares, que deixaram repleto o firmamento de Belo Horizonte. Uma tênue luz dourada coloria tudo, enquanto eles continuavam cantando numa entonação que nunca escutara. Eram suaves e ritmados gritinhos que formavam uma melodia impossível de ser descrita.
Um pequeno ponto de luz branca se formou no meio deles… depois, outro ponto... Uma luz azul circundou os dois pontos, que foram descendo e crescendo, até se formarem duas figuras: de um homem e de uma mulher. Eram Jesus e Maria, pois eu Os conhecia. Entretanto, algo era diferente. Jesus estava todo de branco, mas não era um branco comum. Um misto de branco e dourado. Luzes saíam de Seus olhos. Cabelo e barba brilhavam como raios de sol. Estava descalço e não se via chaga nas mãos ou nos pés, dos quais irradiavam luzes vermelhas.
Nossa Senhora estava com um vestido branco-dourado, tendo sobre os ombros uma espécie de capa azul-dourada, e nos olhos o mesmo brilho dos olhos de Jesus. Não via os seus cabelos, pois um véu os encobria. Um véu finíssimo, mas sem transparência. Saía de sua cabeça uma luz laranja-dourada, a qual, como que transpassando o véu, lhe iluminava o rosto. Estava também descalça, e o único ornamento que exibia era uma pequenina luz na barra do vestido.
Os espíritos Os rodeavam cantando, num clima de paz impossível de se alcançar na terra. Transpiravam felicidade plena, por estarem perto de Jesus e de Maria.
Era tudo grandioso demais, para ser descrito em poucas palavras.
Jesus olhava fixamente para mim, sem nada dizer. Apenas olhava. Quem começou a falar foi Nossa Senhora:
– Meu querido filho, hoje se completou o tempo de nossos diálogos, pelos quais lhe passei tudo aquilo que, por desejo de Jesus, foi entregue a você para que o divulgasse. Desde seu primeiro dia de vida, estou a lhe preparar para este momento e, como já o alertei diversas vezes, se fizer na terra a vontade de Deus, virei pessoalmente buscá-lo para o entregar a Jesus, quando assim Ele o decidir. Jesus deseja lhe falar!
Olhei para o rosto glorioso de Jesus, e notei que todos os espíritos celestes fizeram o mesmo. Eu não conseguia fixá-lo, pois a luz que irradiava de Seus olhos era intensa e quase me cegava. Jesus falou com voz grave, firme, pausada, mas, ao mesmo tempo, suave e tranqüila.
Raymundo, permiti que, por um período da Terra, minha Mãe viesse até você, para lhe entregar uma importante missão. Suas palavras deverão ser colocadas em público, e desse público respeitarei o discernimento para entendê-las, acreditar nelas e colocá-las em prática ou não. A muitos, o alerta pelo perigo que corre a humanidade foi dado. A você foi reservada a missão de colocar, na América Latina, o caminho evangelizador de minha Mãe para estes últimos tempos. Faça sua parte, não se omita, porque muito em breve o mundo conhecerá minha justiça. Entreguei nas mãos de minha Mãe o destino da Obra Missionária em seu continente, e entrego agora aos que perseveram a seu lado a missão de levar em frente o que foi mostrado por Ela, através de você. Não poderei obrigá-los; entretanto, alerto-os de que estará nas mãos desta geração a salvação de milhares de almas na América Latina. A minha Igreja está à porta do grande desafio para o terceiro milênio. Não se iludam, porque a luta contra o grande mal da apostasia será dura e acompanhada de muitas dores. Se não for tomada uma providência urgente no caminho da espiritualização e da conversão, será terrível o resultado de tanto desmando e negligência às minhas palavras. Breve, Wojtyla (João Paulo II) estará comigo. Depois, nas águas tempestuosas, com o vento ao contrário, estarei a caminho do encontro com minha Igreja. Darei a mão a todos que me reconhecerem e caminharem ao meu encontro, independente de credo ou cultura.
Depois, dirigindo-se a todos:
– É necessário que se unam e se entendam, porque um reino dividido torna-se presa fácil ao inimigo. Uma grande dor está reservada ao Oriente e grande parte da Europa. Minha Mãe deseja proteger este continente, e Eu realizarei seus desejos se vocês viverem suas mensagens. Minha Casa encontra-se dividida e infestada, tomada por uma maçonaria eclesiástica sem precedentes, cujo intuito é desacreditar os dogmas de minha Igreja e afastar vocês de Mim. Meus Sacrários estão violados por mãos impuras, e minhas palavras desvirtuadas para atender a interesses sociais pecaminosos. Desejo realizar o que me pede minha Mãe, para que o seu país seja a minha morada, e este continente celeiro espiritual para toda a humanidade, no milênio que se aproxima. Convertam-se com urgência; caso contrário, o nascer para esta graça será realizado através de grandes dores.
Esperam-se prodígios neste local. Eu abomino esta humanidade ávida de sinais físicos para acreditar. Vocês estão agindo somente sob o impulso da razão. Os olhos da matéria percebem a matéria. Os olhos do espírito percebem o espírito. Desenvolvam os olhos do espírito, que verão as coisas do espírito. Permiti muitos sinais, com a vinda de minha Mãe à Terra, mas agora desejo que os milagres sejam realizados no íntimo de cada um de vocês, para estarem preparados em espírito para o que há de vir. Façam vocês mesmos os milagres e prodígios, reforçados e amparados no meu Nome, numa incondicional escolha às coisas do Céu. Tenham fé! A minha Igreja caminhará para o futuro, trôpega e vacilante, diante do desafio de uma renovação ditada pelo materialismo, e os seus dogmas cairão por terra, um a um, frente a uma ciência em contramão com o divino, se não for tomada agora uma posição que estanque este processo. Minha Mãe deu o caminho para que a Igreja da América Latina não se manche por esta nódoa. Entre-tanto, isto somente será viável se levarem em conta o que lhes foi passado.
Jesus aparecia rodeado de uma intensa luz branca, matizada de azul e ouro, levemente mais brilhante que aquela que envolvia Nossa Senhora. De repente, Ele se calou. Os olhares de todos os espíritos celestes voltaram-se então para Maria Santíssima, que, com um semblante calmo e sereno, deu um leve sorriso e, olhando fixamente para a multidão, exclamou: 
– Eu os amo muito!
Depois continuou:
– Raymundo, Eu lhe agradeço por ter-se mantido firme diante do grande desafio que foram os nossos diálogos. Repito que o preparei, por anos a fio, para que não decepcionasse ou venha a decepcionar o Céu.
Ainda bastante emocionado com o que acabara de escutar de Jesus, pedi:
– Por favor, Senhora, Jesus me disse muita coisa. Se tenho que passar tudo isto às pessoas, como vou me lembrar?
– Logo após nosso encontro de hoje, desejo que escreva. Jesus já determinou aos anjos do Céu que lhe dêem assistência, para que tudo saia com exatidão. Não se preocupe. Obedeça ao comando do Céu e escreva.
– A Senhora está se despedindo somente de mim ou de todo o mundo?
– Como já lhe esclareci, por determinação de Deus, deverei estar ausente de minhas manifestações por três marcas e meia do seu tempo, quando não serei vista na terra. Porém, continuarei a ajudá-los. Entretanto, somente você, em toda a terra, estará proclamando isto. Deus deseja com isto fazer na terra uma grande prova de discernimento, para que, com a ajuda do Espírito Santo, possa a humanidade distinguir onde se aloja a nódoa da mistificação ou a presença do demônio confundindo sua mente, com visões e sinais enganosos. Esta será a sua grande e dura prova por demais penosa. Mas isto é impres-cindível para que domine a razão amparada pelo divino, e não o divino mascarado por interesses contrários à verdade. As pessoas quedam-se maravilhadas diante das coisas do espírito, quando Deus permite este contato direto, mas depois se deixam também encantar pelas coisas da matéria, tornam-se cegas e transformam-se em cegos guiando outros cegos. Isto é absolutamente contrário ao pensamento de Deus. Eu lhes peço: confiem somente em Jesus e fiquem firmes no propósito de proclamar a verdade.
– Senhora, sempre me perguntam sobre os três dias de trevas. Eles virão como dizem?
– Aqueles que não seguirem os ensinamentos de Jesus e não viverem as minhas mensagens, deixando o espírito inteiramente entregue à prática do amor fraterno, breve, muito em breve, começarão a sentir na alma o abandono do Céu.
– Mas eles acreditam que seria agora, pois a Senhora me disse que estaria conosco nestes dias, e agora está se afastando. Como explico isto a eles?
– Estarei afastada de minhas manifestações, mas não estarei afastada de vocês. Entretanto, estão próximos os dias em que, até nestes momentos, terei de os deixar.
– Que momentos são estes, Senhora?
– Nos abomináveis dias que se aproximam, a luxúria e a soberba tomarão conta da terra, numa proporção assustadora. Os demônios estarão em toda parte, como hoje estão em seu país (era uma terça-feira de carnaval). Somente aqueles que perseverarem na fé com discernimento, não se deixando enganar por esses demônios em pele de cordeiro, terão diante de si o caminho ditado por Jesus para encontrarem a Luz de Deus. O progresso está tomando o caminho da cons-trução de um futuro calcado na razão, que inexoravelmente esbarrará no abismo do materialismo, portanto, sem continuidade. Breve, muito breve, a ciência estará impotente diante da barreira do inexplicável. Então o caos se instalará. No início, o homem pecou pela soberba, induzido pelo Diabo, procurando as respostas das coisas pelo caminho da razão. Agora a humanidade procura ávida o conhecimento, seguindo o mesmo caminho. Deus irá intervir, mostrando o caminho certo. Entretanto, isto se dará entre dores e muitas lágrimas. O bafo fétido de uma terceira e derradeira guerra está a caminho, e somente as orações e a conscientização da Igreja, depositária real da fé, poderão atenuar a concretização desse conflito universal.
– Como pode ela fazer isto? Somente rezando?
– Não. Fazendo germinar em seu seio a semente do desprendimento sobre as coisas da matéria, e colocando em prática o Evangelho.
– Mas a Senhora não irá nos ajudar?
– Determinado por Deus, devo protegê-los. Entretanto, necessito alertá-los que de nada adiantará minha mediação, se não encontrar entre vocês receptividade às minhas mensagens.
– Por que a Senhora não aparece a toda essa gente, falando isto? Penso que então todos acreditariam, e tudo ficaria resolvido. Até a Igreja, que tanto ataca as aparições da Senhora, não teria mais dúvidas.
Ela deu um leve sorriso e disse:
– Você acredita que Jesus subiu ao Céu diante de muitas pessoas, conforme relata o Evangelho?
– Acredito!
– Por quê?
– Porque está escrito, e eu acredito no Evangelho. E porque O estou vendo agora.
– Esta mesma mensagem, na qual você acredita e vê, foi dada a toda a humanidade. Entretanto, são poucos os que acreditam e, por causa disso, não vêem, ficando cegos às coisas do espírito. Posso lhe garantir que, naquele instante, Jesus deu a todos a manifestação con-creta e definitiva do Seu poder. Se Deus me permitisse falar a todos, hoje, neste local, pouco tempo depois, guiados pelo materialismo, os homens procurariam explicar o fato através da ciência, em contramão com o divino. Deus determinou que assim seja feito, e a Sua vontade é soberana e sábia.
– A Senhora e Jesus não farão milagres hoje?
– Não fiquem presos a isto. Todos vocês, neste local, estão agora sob o olhar misericordioso de Jesus. Ele fará muitos milagres na alma e no corpo de todos aqueles que acreditam na Sua presença.
– A Senhora não fará nenhum milagre?
– Não. Eu não faço milagres. Somente Jesus os faz.
– E se eu pedir a Ele?
– Peça!
Pedi a Jesus que fizesse um milagre para que todos acreditassem. Ele olhou para mim e para toda aquela gente e disse:
– Se confiarem em minha Mãe Santíssima, Eu os protegerei das dores e da apostasia que se aproximam. Diga isto a todos.
– Jesus, por favor, como faço agora com a Igreja que me ataca, me taxando de esquizofrênico, desequilibrado, ladrão? Senhor, tens algo a dizer à Tua Igreja, que possa ser útil, para que ela compreenda que estás verdadeiramente vivo, como Te estou vendo?
– O que Eu tinha a dizer à minha Igreja, já está escrito. Que eles então sigam as minhas palavras e dêem mais atenção ao divino, que reconhecerão com mais facilidade a minha presença. O Céu não lhe pede que os convença, mas que apenas fale. Entretanto, peço a todos que não critiquem a minha Igreja, conforme minha Mãe tantas vezes lhe ensinou e orientou. Ao invés disso, procurem todos ficar com o olhar fixo na Igreja celeste, onde habita o Espírito Santo, e procurem ajudar o quanto puderem a Igreja humana. Não se preocupe com o que falam de você, não procure o reconhecimento na terra, una-se ao Céu. É isto que importa. Desejo derramar a minha misericórdia em todos os que continuarem a freqüentar a Basílica dedicada ao nome santo de minha Mãe, nas terças-feiras.
– Qual Basílica, Senhor, a de Lourdes na qual eu rezo todas as terças?
– Esta mesmo.
– Mas o Arcebispo e o pároco proibiram o Terço, não querem que eu reze lá.
– Eu desejo e peço que assim seja feito. Com o tempo, a minha misericórdia se estenderá a eles e a seus sucessores, para que entendam o pedido de minha Mãe.
Depois que Jesus falou estas palavras, vi todos os espíritos celestes, que Os rodeavam, olharem para Maria Santíssima. 
Ela, com um sorriso meigo e terno, perguntou:
– Prestou atenção a tudo o que Jesus lhe disse?
– Sim, Senhora.
– Então faça tudo o que Ele determinou, e depois nos encontraremos no Céu.
– Posso fazer-lhe mais uma pergunta?
– O que deseja saber?
– Sobre os dias de purificação e trevas da alma. Quando virão? Pois eu entendi que seriam antes de sua partida?
– Continuarei assisti-los do Céu, quando então, determinado por Deus, num tempo que somente Ele conhece, estarei ausente de tudo, para que a Sua justiça se cumpra.
– E os missionários, como devo agir agora com eles? Qual o procedimento que o Grupo deve tomar depois da sua partida, Senhora?
– Jesus e Eu o estaremos assistindo. Quanto ao Grupo, deverão todos viver as minhas mensagens, fazendo o possível para que sejam divulgadas, em toda a América Latina. Isto é urgente, porque o tempo determinado por Deus está se esgotando.
– Senhor Jesus, estarás conosco nos ajudando?
– Eu nunca os abandonei. Entretanto, se seguirem o que minha Mãe lhes ensinou, sentirão minha presença. Você, particularmente, terá minhas visitas, para que não esmoreça em sua missão. Desejo que defenda a Eucaristia. 
Eles ficaram algum tempo me olhando, e me lembro de lhes ter perguntado:
– Senhor e Senhora, têm mais alguma coisa a me dizer?
– Não, já lhe dissemos tudo, e desejo que procure aprender tudo o que Jesus ensinou nos Evangelhos. É necessário que estude a palavra do meu Filho. E você, tem mais alguma coisa a nos falar? – disse a Senhora.
– Não, acho que já disse tudo.
– Então fique em paz e tenha confiança em minha misericórdia. – falou Jesus.
Nisto os Anjos começaram a cantar, Jesus e Maria foram-se afastando, até sumirem totalmente, na abertura amarelo-ouro do Céu.

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