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Um sonho Intrigante - Agosto e Quinta-feira

Raymundo sonhou e escreveu

Esta noite tive um sonho intrigante. Estava num local árido e sem limites, parecendo um deserto, porém cheio de gente que, de tão juntas, não se distinguia o sexo, pois se via apenas as cabeças das pessoas, e todas elas sem cabelos. No meio desse mar de cabeças sobressaía uma grande mesa, feita de ossos humanos. Diante dela sentava um homem altivo, forte, olhos de um azul brilhante, cabelos negros à altura dos ombros, sem barba, túnica também de um azul brilhante.

À sua esquerda vi sentada uma mulher de cabeça baixa, cujo rosto não consegui distinguir. Parecia rezar. À direita, quase à sua frente, de pé, estava um homem de cabelos longos, túnica branca brilhante como o sol da manhã. De costas para a multidão, parecia estar com toda a atenção voltada para o homem do centro.

Acima deles pairava uma nuvem, de onde saía uma energia que tudo dominava. Por trás, percebi uma página enorme de calendário, com as palavras: AGOSTO e QUINTA-FEIRA, mas não se conseguia ler o dia do mês e nem o ano.

Começaram a aproximar-se da mesa muitas pessoas com vestes de tom amarronzado. Todas ostentavam na cabeça algum adereço: chapéu, mitra, lenço, coroa, faixa etc. E esse homem, no centro da mesa, ia tirando aqueles adereços e jogando-os longe. Essas pessoas permaneciam de pé, apertadas num cubículo. Percebi que isso se dava pela força desprendida da nuvem que pairava no alto, pois essas pessoas não desejavam de forma alguma aproximar-se umas das outras.

Aconteceu então uma coisa estranha. O homem de branco, que estava de costas para a multidão, começou a tirar pequenos pedaços do corpo do homem de olhos brilhantes, que dominava a cena, colocando-os em potes de barro e entregando-os às pessoas confinadas no cubículo, para que os distribuíssem à multidão. Entretanto, apesar de serem retirados dele esses pedaços, seu corpo não diminuía; ao contrário, de cada pedaço que saía brotavam dois, e assim sua estatura só fazia crescer e seu olhar tornava-se cada vez mais brilhante.

As pessoas designadas para distribuir os pedaços do corpo entravam no meio daquela multidão comprimida com uma facilidade impressionante, e assim todos recebiam sua porção. À medida que cada um consumia a sua, olhava para a nuvem brilhante e gritava com força: “Estou entendendo agora!” A mulher, que continuava de cabeça baixa, me disse: “Escreva logo pela manhã o que viu!” 

 

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