Cronicas de Raymundo Lopes
Deixem-me ajudá-los

Raymundo Lopes - 10 de janeiro de 2017

Deixem-me ajudá-los

É espantoso o número de boas ações que podem ser feitas neste mundo, se não nos preocuparmos sobre quem receberá o mérito.

Todos nós experimentamos, por vezes, o calor reconfortante que advém de executar uma boa ação e de receber o reconhecimento alheio.

Mas há um tipo especial de satisfação que advém de fazer o bem e mantê-lo em segredo.

Aqueles que praticam este altruísmo mais elevado são conhecedores da alegria íntima em seu refinamento mais sublime.
Li recentemente a respeito de um homem que todas as terças-feiras, pela manhã, visitava um orfanato onde havia falta de pessoal e passava horas distraindo as crianças contando histórias e dando à superintendente exausta e ao seu pessoal momentos de descanso e de liberdade.

A superintendente disse:

"Não temos a menor ideia de quem seja, mas no momento em que chega é saudado com gritos de alegria."
Quando os curiosos tentavam descobrir a sua identidade, o estranho respondia apenas:

"Isto não importa".

Pano da mesma peça era um desconhecido idoso que apareceu um dia num hospital, dizendo:
"Sei que vocês devem ter muitos e variados trabalhos que precisam ser feitos.
Deixem-me ajudá-los."

Durante um ano desempenhou inúmeras tarefas subalternas varrendo, cuidando das ataduras sujas.
Uma vez, ao perguntarem seu nome, sorriu e abanou a cabeça:

"Se você soubesse quem sou, ia sentir-se agradecido.
Isto estragaria tudo."

Somente depois que foi embora, o hospital descobriu que era um ex-despachante aduaneiro.

Raymundo Lopes


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