Cronicas de Raymundo Lopes
Façamos o bem

Raymundo Lopes - 03 de janeiro de 2017

Façamos o bem

Encontro constantemente pessoas que, sem que outros saibam, se dedicam a pequenas ações de bondade oculta.
São, invariavelmente, pessoas felizes e serenas. Nossa Igreja, aqui em Belo Horizonte, tem uma maternidade com uma ala especial para mães solteiras.
Toda vez que nasce um bebê de uma dessas moças, chega um grande buquê de flores de uma oferta anônima.

Com ele vem apenas a mensagem:
De alguém que te compreende.

Durante anos centenas de moças, se sentindo abandonadas e desesperadamente sós, têm encontrado o caminho para uma vida nova por esse ato de solicitude.
Conhecendo, entretanto, a ofertante, uma mulher que tem ela própria sofrido muitas agruras, sei que suas recompensas são grandes.
A dádiva secreta não precisa ser dispendiosa em tempo, nem em dinheiro. Exige apenas uma percepção aguda e um coração compreensivo.

Lembro-me de um médico que, sabendo que um de seus pacientes necessitava de um medicamento caro, acima de suas posses, arranjou para que uma firma atacadista de produtos farmacêuticos enviasse o remédio requerido com uma etiqueta de amostra colada no rótulo.

Lembro-me também de um professor que, percebendo que um aluno inteligente mas desinteressado tinha aptidões que precisavam de ser motivadas, assinou uma revista de ciência para ser enviada regularmente à casa do menino.
A revista provocou o resultado desejado e, embora o menino nunca viesse a saber quem fora o seu benfeitor, acabou tornando-se um cientista brilhante.

Raymundo Lopes


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