Cronicas de Raymundo Lopes
Às vezes nos esquecemos de que cada
geração tem que travar de novo as velhas batalhas

Raymundo Lopes - 16 de agosto de 2016

Às vezes nos esquecemos de que cada

Falo às vezes de uma velha amiga Sadonana, que se queixava de que as tempestades modernas não limpam mais a atmosfera.
Trata-se de uma atitude que não se limita às velhinhas e nem a assuntos meteorológicos.
Ouçam estes versos melancólicos:
Com quem posso falar hoje?
A humanidade gentil desapareceu
O violento tem acesso a todos
A iniquidade que flagela a terra
Não tem fim
Não há humanidade justa
A terra está entregue a criminosos.
A nostalgia de uma época passada, mais delicada e mais justa, parece-nos muito moderna.
Mas o poema foi escrito por um homem que estava pensando em suicidar-se, há cerca de 4.000 anos, no tempo do Médio Império do Egito.
É uma característica permanente do homem acreditar que as velhas virtudes estão desaparecendo, que os velhos valores se desintegram e que as velhas e boas e severas normas não merecem mais crédito.
Muitas pessoas parecem hoje em dia pensar que a nossa moralidade, a nossa devoção à virtude e à justiça se assemelham a um reservatório que se encheu há muito tempo, talvez vagamente no tempo de nossos avós, e que desde então se vem esvaziando. Mas nossos avós pensavam que este reservatório fora cheio por seus avós e vinha desde então se esvaziando. E seus avós pensavam da mesma maneira. Por que ainda não está vazio o reservatório?
Cada geração, diante de vitórias que não conseguiu por si mesma, deve por sua conta descobrir de novo o sentido da liberdade e da justiça.
Em suma, a ordem moral não é alguma coisa guardada como um tesouro.
Uma sociedade é continuadamente criada de novo pelos que a compõem, para o bem ou para o mal.
Isso parecerá a alguns um pesado fardo, mas a outros apontará o caminho da grandeza.

Raymundo Lopes

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