Cronicas de Raymundo Lopes
Dor

10 de Outubro de 2017

Dor

A Dor humana não se torna cristã pelo simples fato de que é oferecida a Deus. Pelo fato de sofrer, Auma pessoa não é mais amada por Deus do que outra que canta de alegria. Se Deus é felicidade perfeita, estamos mais próximos dele na alegria que na dor. Ador é divina enquanto é aspiração à comunhão com o Uno, enquanto é movimento de fraternidade. O pior serviço que podemos prestar à dor humana é o de desumanizá-la tirando-lhe a característica essencial, que é a exclusão. Os leprosos, que na Bíblia são quase que o símbolo da dor, o máximo do sofrimento, são pessoas rejeitadas, excluídas da sociedade. Se quisermos cristianizar e entender o que significa politizar a dor, é preciso valorizar este ângulo de visão. Yeshua, em sua vida, deparou-se com duas grandes exclusões: Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Yeshua padeceu fora das portas de Jerusalém. Somente politizando a dor, isto é, tomando consciência de que sua essência é a exclusão da vida, da comunhão, uma oposição à comunhão, ela se torna força em direção à unidade, movimento crítico, movimento eucarístico.

 

Raymundo Lopes



2007 @ Todos direitos reservados para o SIM-Serviço de Informação Mariana