Cronicas de Raymundo Lopes
Lúcifer

05 de Abril de 2018

Lúcifer

Deus deu a Lúcifer coragem, moderação, liberdade, justiça etc., e também arte e discernimento, ciência, inteligência e sabedoria. Como o homem, Lúcifer tem uma tendência natural que converge para um fim nobre, mas tende, por uma maneira muito especial, para o mal. Afinal, conhecer é agir, mas agir em função da mentira, reconhecendo um poder maior: Deus. Ele sabe que quanto mais elevado é o fim, no caso Deus, mais infeliz ele é, porque é uma criatura e não aceita isso.

Quem é Lúcifer?

Lúcifer é uma criatura intelectiva, por meio da faculdade mais elevada, a inteligência, porque tem por objeto conhecer os universais, e principalmente as realidades mais inteligíveis como o ser, o uno, o bem ou Deus, porque há em Lúcifer um desejo natural para existir perenemente. Isso se evidencia pelo fato de Lúcifer desejar intrinsecamente, por meio de sua sabedoria, não apenas aprender o ser aparente das coisas, porém, acima de tudo, o ser absoluto, porque deseja ardentemente ser igual a Deus.
Logo, Lúcifer alcança a perpetuidade segundo sua essência, pela qual aprende a ser absoluto, perpétuo.
Assim, o desejo natural em busca da igualdade, dirigido a Deus, origem e fim último de todas as criaturas, regula e fundamenta, natural e ordenadamente toda a ordem de Lúcifer. Afinal, ele sabe que Deus é evidente por si mesmo e por isso não é preciso ser demonstrado, isso contraria Lúcifer.
Lúcifer é antes de tudo uma criatura. Foi criado por Deus para, digamos, assessorá-Lo.
Quando se cria, estamos imediatamente deixando-nos conhecer na administração daquilo que é Sua obra-prima, o universo que conhecemos e tudo o mais que não conhecemos. É claro que Deus deve ter criado coisas que nem imaginamos, mas Lúcifer tem conhecimento bastante para, se não tem poder sobre elas, saber que existem.
Junto com Lúcifer, a criatura mais perfeita saída de Deus, foram criados outros seres de igual beleza, poder etc. Quando de Deus saiu essa força inimaginável, devido a esta vontade, ele imediatamente almejou ser também igual a Deus, devido a um fator que desconhecemos. Lúcifer sentiu-se no patamar do Criador, porque sabia tanto quanto Ele, mas desconhecia, por ser criatura, o poder de criar do nada, fazer tudo do nada, fazer acontecer sem ter nada que aconteça.
Esse desejo saído de uma criatura divina, tornou-se um paralelo sem precedente no Universo, pois tudo que saía dele era contrário a Deus, porque derivava de um amor às avessas.

Como Deus permitiu isso?

Não permitiu, mas não evitou que acontecesse; caso contrário, Seu amor pela coisa criada passaria pelo mesmo crivo de Lúcifer, e o Criador passaria a ser também um objeto desse desejo ao contrário.
Estava no desejo de Deus criar seres providos de cérebros pensantes, e um deles pensaria com o desejo de se organizar, criar coisas em cima daquilo que dispunha. Lúcifer desejava o mesmo, mas não tinha o poder de criar, apesar do inimaginável conhecimento que dispunha.
Não restava senão abominar tudo que se dispunha a pensar, tudo provindo de cérebro, e neste caminho estava inevitavelmente o ser humano.
Lúcifer tem um amor às avessas, deseja criar, mas não dispõe de meios e isso faz acontecer no seio dessa criatura, um desejo mórbido de acabar com tudo que Deus desejou que acontecesse.
Deus, então, desejou que este admirável ser convivesse com tudo criado, para que ele visse que aquilo é bom, porque deriva de Sua vontade, e aquilo que pretende é ruim, porque deriva de uma vontade de criatura, isto é, não procede de Sua vontade. Deixou para a 2.000 anos atrás, quando viu que o ser humano poderia ter o poder de recebê-Lo, uma promessa de uma visita a seu reino ( a terra ).
Por quê? Porque deseja que o ser humano o reconheça diferenciado; mas não impediu que a vontade da criatura ( Lúcifer ) vencesse, pois esse era o jogo divino: vencer pelo conhecimento criado e não vencer pelo conhecimento adquirido.
Entretanto Deus, como criador, quis violar uma lei maior: a morte, compadecendo de si mesmo e de sua mãe terrena, não permitindo que o findar da passagem neste mundo fosse interrompida no plano celeste. Deus é o Deus da vida, tudo é vida e nem Lúcifer pode interrompê-la, porque não existe nele o poder de criar do nada.
Lúcifer significa criado na luz, e assim deve ser, porque Deus não o criou para aquilo que ele ( Lúcifer ) manipula muito bem que são as trevas.
Logo, a finalidade Luciferiana consiste na atividade do intelecto humano, pois é por causa dele que consiste a atividade da tentação.
Disso resulta que Lúcifer, tentando o homem, tenta também a contemplação das coisas divinas.

Lúcifer, apesar de chamar-se criado da luz, antecipa em si mesmo as trevas.


Raymundo Lopes

2007 @ Todos direitos reservados para o SIM-Serviço de Informação Mariana