Cronicas de Raymundo Lopes
Paciência

17 de Outubro de 2017

Anjos

A noção convencional de paciência consiste em Aser muito amável, separar e manter a calma reprimindo a impaciência. Se vamos esperar alguém, fumamos cigarros, lemos, andamos de um lado para outro para nos mantermos calmos. Quando nos dizem: “Desculpe-me pelo atraso.”, respondemos: “Não faz mal, estive me distraindo apreciando a paisagem, conversando com estranhos. Vamos aos negócios, estou contente por ter vindo.” Apesar de fingirmos despreocupação em relação ao tempo, na verdade estamos compulsivamente presos ao vivermos cronometrados. Dessa forma, nossa negação de preocupação escondendo a raiva é hipocrisia; ao contrário livre, a preocupação compulsiva com o tempo pode simplesmente ficar sentado pacientemente sem sentir que está à espera de que algo mais aconteça. Embora haja um sentido de intemporalidade na ação, isso não quer dizer que se faça tudo mais lentamente, que sua ação seja ineficiente, na realidade ela é muito eficiente porque sua ação é direta e perseverante. Nada o desvia, nada o assusta. Não se queixa no sentido convencional; entretanto, pode apontar as discrepâncias da sociedade ou das neuroses dos trabalhadores, não reclama delas, apenas refere-se a elas como fatos, como coisas que precisam ser corrigidas. Isso parece boa estratégia a ser adotada por pessoas, mas, a menos que haja uma entrega total ao processo de seguir o caminho, não é possível ser paciente dessa forma.

Raymundo Lopes



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